A NATUREZA DO EMPREGO NA REGIÃO NORTE FLUMINENSE

A economia brasileira, vista pelas lentes do emprego, apresenta uma dinâmica importante e consolida uma tendência de crescimento mais robusto para este ano. O mesmo indicador também é uma referência de crescimento econômico para a Região Norte Fluminense, que aproveita o momento de recuperação dos efeitos da crise financeira internacional que afetou os investimentos em 2009. O setor petrolífero em Macaé responde positivamente aos investimentos neste ano, assim como o complexo portuário do Açu alimenta o processo de geração de emprego em São João da Barra.

O município de Campos dos Goytacazes se apresenta como referencia nacional na geração de emprego em maio. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o saldo de emprego no município ocupa o sétimo lugar no país, indicando a entrada de 3.854 novos trabalhadores no mercado com carteira assinada. Esses dados são importantes, entretanto avaliar a base estrutural do emprego é essencial.

O gráfico a seguir apresenta os saldos acumulados de emprego nos municípios da região:











É importante observar que a natureza do emprego na região não apresenta um perfil de sustentabilidade, exatamente, pela fragilidade dos sistemas econômicos que não oferecem garantia de rendimentos crescentes à escala. Na verdade, o emprego é dependente de investimentos exógenos, os quais geram externalidades, dificilmente apropriadas pelos agentes locais. Macaé é um caso típico. O território combina geração de riqueza com intensa pobreza. A mesma situação é experimentada por São João da Barra, cujos investimentos ainda na fase de construção do porto, tem gerado oportunidades e indicativos de ausência de qualificação local para uma melhor adaptação ao presente ciclo de crescimento econômico.

Uma outra situação é a geração de emprego por intervenções públicas de prazo limitado. É o caso de Conceição de Macabu que se destacou na geração de emprego no primeiro trimestre do ano e nos dois meses seguintes, negativou todo o esforço anterior, mostrando claramente um processo de evolução sem sustentabilidade. Quissamã materializa a mesma situação pela inexistência de atividades privadas consistentes.

O município de Campos apresenta uma atividade de base econômica importante, porém em franca decadência. Refiro-me a indústria canavieira que ainda é muito importante para geração de emprego. No ano passado, o resultado do emprego acumulado no município foi negativo, porém de abril a outubro pode-se verificar a potencia desse setor na geração de emprego. Neste ano, o saldo de emprego no mês de janeiro foi negativo por conta do final de safra do ano anterior. De fevereiro a abril, entretanto, o município voltou a apresentar saldos positivos, em torno de 2.000 novas vagas a cada mês, por conta da movimentação no setor de construção civil. Em maio, o saldo na geração de emprego chamou atenção do país, exatamente por conta do inicio da safra do período 2010. Do saldo de 3.854 novas vagas de trabalho no mês, 2.734 (70,9%) são relativas aos trabalhadores da cultura de cana-de-açúcar.

Vejam que é necessária uma maior reflexão sobre a dinâmica econômica regional. A palavra chave é sustentabilidade. É essencial responder a seguinte indagação: Qual é o desenho ideal de uma estrutura organizacional capaz de permitir rendimentos crescentes aos sistemas econômicos locais?





Comentários

  1. Professor,
    Lendo sua importantíssima e excelente análise do emprego no N fluminense, cheguei a tremer na cadeira qdo citou o caso de Conceição de Macabu (empregos temporário do Setor pùblico). Em cidades pequenas, em épocas de eleição, surgem os empregos em grandes obras (praças, logradouros etc). E ainda usam o argumento de que estão gerando emprego... É lamentável! Chamou minha atenção esse trecho e por isso me limitei a esse comentário.
    Seu texto é de suma importância, vejo que tem agido em várias frentes (palestras, livros, blog, encontros locais) para mostrar o quadro e alertar quanto às ações necessárias.

    Parabéns!

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  2. Obrigado pelo apoio Angeline. Acho que esse é o nosso papel. É essencial disseminar informações e contribuir para melhorar o entendimento dos atores locais/regionias.

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