terça-feira, 30 de março de 2010

Luta de gigante no mercado mundial de minério de ferro



Aquece a discussão no mercado mundial sobre a necessidade de um novo sistema de preços para o minério de ferro. De um lado os fornecedores da commodity e do outro lado os compradores industriais. A proposta da Vale de reajuste trimestral pode levar o preço a US$105 por tonelada, entretanto os grandes consumidores mundiais reagem. Eles preferem a manutenção do sistema atual de preço de referência ou sistema benchmark, enquanto que a nova proposta é mais interessante, especialmente para o Brasil. A crise financeira internacional inibiu o reajuste do minério em 2009. Em dezembro de 2008 o preço praticado chegou a US$71,5 a tonelada, declinado ao logo do ano. Em fevereiro de 2010 os preços praticados não chegaram a US$50 a tonelada.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Royalties e Participação Especial no Trimestre

Os valores contidos na tabela indicam os créditos de royalties, referentes ao mês de março para os municípios da Região Norte Fluminense. Campos recebeu R$ 42 milhões no mês e contabilizou um acumulado de R$ 124,1 milhões no trimestre. Macaé aparece a seguir com um crédito de R$ 30 milhões no mês e um acumulado de R$ 87,5 milhões no trimestre. São João da Barra recebeu R$ 7,7 milhões no mês e somou no acumulado R$ 22,4 milhões no trimestre, enquanto Quissamã recebeu R$ 6,3 milhões no mês e registrou um acumulado de R$ 19 milhões no trimestre.

Complementarmente a receita mensal de royalties, os municipios produtores ainda receberam as participações especiais correspondentes aos grandes volumes de produção e lucros excedentes.

A seguir são apresentados os valores recebidos no trimestre.

Conforme pode ser verificado, Campos recebeu R$ 39,7 milhões de participação especial no trimestre. Esse valor representa 32% do valor acumulado de royalties recebido no mesmo período.
Macaé recebeu de participação especial no trimestre a importância de R$ 10,7 milhões, valor equivalente a 12,27% do montante recebido de royalties no mesmo periodo.
Ja´o município de Quissamã recebeu R$ 42,8 mil no trimestre.
A nova mudança proposta ao Senado por organizações de apoio aos município, envolve a redistribuição desses valores. De qualquer forma, municipios como Campos, Macaé, Quissamã e São João da Barra perdem um volume de representativo de receita.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O perfil do emprego na Região Norte Fluminense

A oferta de emprego em 2010, na Região Norte Fluminense, está concentrada nos municípios com menos de 30 mil habitantes (veja tabela acima).
Em janeiro, os municípios com mais de 30 mil habitantes apresentaram saldo negativo de emprego e em fevereiro, somente Campos conseguiu gerar emprego líquido, não conseguindo, entretanto, se livrar do resultado negativo no acumulado.
Contrariamente, todos os municípios com menos de 30 mil habitantes conseguiram gerar emprego líquido em janeiro. Em fevereiro, somente Conceição de Macabu obteve saldo negativo no mês, porém conseguiu manter resultado positivo no acumulado. Os outros municípios desse grupo mantiveram saldos positivos no mês e no acumulado.
Algumas ocupações se destacam nesse processo. Em Conceição de Macabu, predomina a construção civil com a contratação, especialmente, de servente de obras e montador de estruturas metálicas.
Em São João da Barra, obras do complexo portuário do Açu demandam, especialmente, servente de obras, carpinteiro e motorista de caminhão.
Em Quissamã, as atividades governamentais são responsáveis pela contratação de professores da educação de jovens e adultos do ensino fundamental e salva vidas.

quinta-feira, 18 de março de 2010

A trajetória do emprego nos municípios com mais de 30 mil habitantes na RNF


A movimentação de emprego nos municípios com mais de 30 mil habitantes na Região Norte Fluminense indica a manutenção de dificuldades no contexto da dinâmica econômica. Apesar da contribuição positiva de Campos dos Goytacazes em fevereiro, pela geração de 298 novas vagas, o saldo acumulado em 2010 foi negativo para os quatro municípios. Macaé ampliou o número de vagas destruidas, em função dos resultados negativos nos dois meses deste ano, assim como, São Fidélis e São Francisco de Itabapoana.
O bom resultado de Campos em fevereiro, se deu por conta do saldo positivo na construção civil, onde foram criadas 274 novas vagas, na indústria de transformação, onde foram criadas 115 vagas e nas atividades de serviços, onde foram criadas 86 novas vagas. Em Macaé, as ocupações que pesaram no saldo negativo foram: construção civil com menos 275 vagas, indústria de transformação com menos 230 vagas e comércio com menos 16 vagas. Em São Fidélis, a cosntrução civíl, a indústria de transformação e o comércio, constribuiram para o saldo negativo, enquanto em São Francisco de Itabapoana, as ocupações responsáveis pela desemprego foram a construção civil e a agropecuária.
Pelo apresentado nos dois primeiros meses deste ano, a trajetória de problemas com emprego de 2009 pode continuar em 2010 na região.

terça-feira, 16 de março de 2010

Execução Orçamentária em 2009 no município de Macaé

Macaé é o segundo município da Região Norte Fluminense a depositar na Secretaria do Tesouro Nacional os dados da execução orçamentária de 2009. Conforme indicado na tabela, as Receitas Correntes realizadas somaram R$ 1,1 bilhão, equivalentes a 104,49% da previsão. As Receitas Tributárias representaram 28,96% das Receitas Correntes e as Transferências Correntes 63,03%.
As Despesas Correntes executadas no valor de R$ 831,8 milhões, representaram 98,30% do valor previsto, enquanto que as despesas com pessoal e encargos representaram 39,83% das Receitas Correntes realizadas.
O nível de investimentos no município chegou a 16,16% das Receitas Correntes, um bom percentual comparado com o nível de investimento histórico na região.
Macaé apresenta uma situação bem diferente dos outros municípios. Menor dependência das Transferências Correntes, já que o percentual das Receitas Tributárias é superior e um bom padrão de investimento.

Uma boa estrutura de capital social potencializa desenvolvimento

A forte mobilização em torno da questão dos royalties deixa um aprendizado fundamentalmente importante para a sociedade local. Esse movimento, iniciado em Campos dos Goytacazes, que ganhou a midia nacional, evoluiu na figura de um elemento agregador que como um imã foi se configurando num corpo característico de um tecido social poderoso. É evidente que todo esse conjunto está dirigido para um único objeto. O que deixo para reflexão é que muitos problemas sócioeconômicos poderiam ser resolvidos a partir do apoio desse capital social, se o mesmo se solidificasse e não desaparesse com o tempo. Muitos problemas dependem de ações coletivas que são oriundas de uma sólida estrutura de capital social. O processo caracterizado no esforço de combate à emenda que retira parte dos royalties do Rio de Janeiro, deve ser extrapolado para outras questões, inclusive no que diz respeito a aplicação dos mesmos recursos.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Movimentação bancária em dezembro de 2009 na RNF

A tabela apresenta os dados relativos a movimentação bancária em dezembro de 2009, nos municípios da Região Norte Fluminense. Comparativamente a dezembro de 2008, pode-se verificar uma boa evolução dos saldos neste ano, em termos nominais. O saldo das operações de crédito cresceu 49,34% em Campos dos Goytacazes, 65,16% em Macaé e 80,02% em São João da Barra. O saldo dos depósitos a vista do setor privado cresceu 54,24% em Campos dos Goytacazes, 63,78% em Macaé e 55,92% em São João da Barra, enquanto o saldo dos depósitos a prazo cresceu 10,54% em Campos dos Goytacazes, 62,25% em Macaé e 176,10% em São João da Barra.
O gráfico abaixo apresenta a variação do saldo dos depósitos a vista do setor privado em dezembro com base no mês de novembro. Campos apresentou a maior evolução com um crescimento de 30,40%, seguido por Conceição de Macabu com crescimento de 17,39%.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Comércio exterior de commodities do interesse da Região Norte Fluminense

A tabela indica os indicadores de comércio exterior das commodities açúcar bruto, minério de ferro e etanol. A dinamica do comércio desses produtos é do interesse da Região Norte Fluminense, já que a atividade sucroalcooleira tem grande significado por aqui, enquanto que na mesma região está sendo construída uma estrutura logística, cuja base é o escoamento de minério de ferro.
A movimentação de açúcar bruto no início deste ano apresenta uma trajetória de declínio. Após atingir um volume representativo em termos de quantidade e valor em novembro de 2009, o volume exportado declinou 4,25% em dezembro. No mês de janeiro a queda foi de 27,37% e em fevereiro 23,96%. Essa trajetória de queda ocorre exatamente em um período de valorização dos preços contratuais. Ao longo de 2009 os preços cresceram, saindo de US$285,4 por tonelada em janeiro, alcançando US$408,4 em dezembro. Em 2010 os preços continuaram em crescimento, batendo US$457,6 por tonelada em fevereiro.
O comércio de minério de ferro depois de esboçar uma pequena reação em dezembro, declinou 12,84% o volume negociado em janeiro, crescendo 11,1% em fevereiro, porém ficando abaixo dos volumes negociados no segundo semestre de 2009. Os preços negociados em fevereiro apresentaram um crescimento de 9%, comparativamente a janeiro.
Quanto ao etanol brasileiro, no mês de fevereiro os volumes negociados ficaram muito abaixo dos volumes negociados em janeiro, apesar da valorização dos preços contratuais que subiram 9,9% em fevereiro, com base em janeiro.
A valorização cambial é apontado por especialistas como elemento importante na análise da performance comercial brasileira, porém outros aspectos relativos a produtividade industrial deveriam ser considerados.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A riqueza real e geradora de trabalho e renda

A divulgação anual da lista das maiores fortunas no mundo pela revista Forbes, revela o empresário Eike Batista na oitava posição, representando uma subida meteórica do mesmo de um ano para o outro. O empresário mais rico da América Latina e com a oitava riqueza do mundo é dono US$27 bilhões. O importante é que esse empresário tem investimentos importantes na Região Norte Fluminense e que o seu projeto de infra estrutura logística é fundamental para novos investimentos produtivos. Esse é o perfil de riqueza que interessa, ou seja, fruto de atividades reais que geram produto, trabalho e renda.

terça-feira, 9 de março de 2010

Uma visão da dinâmica econômica na Região Norte Fluminense
















Os gráficos ilustram a variação percentual do Índice de Participação Municipal - IPM, no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS, relativos aos municípios da Região Norte Fluminense. Esse indicador reflete a economia real, diferente Produto Interno Bruto - PIB, que se descaracteriza em função, especialmente, da atividade petrolífera na região.

O IPM é construído, fundamentalmente, pelo valor adicionado em cada município, isto é, a riqueza gerada através da indústria, comércio, agricultura e serviços em cada município. Em função disso, o Estado define qual é a parcela relativa a cada município, representada no índice para determinado ano, que é equivalente a riqueza gerada dois anos anteriormente ao exercício indicado de tal índice. Olhando a trajetória da variação desse indicador no período de 2002 a 2010, podemos verificar que a região mergulhou numa forte recessão em 2003, cuja recuperação ainda não se efetivou. A partir de 2004 a região vem tentando restaurar a economia com muita dificuldade. Somente em 2008 houve uma melhora da atividade sem, entretanto, retornar aos padrões econômicos de 2000. Somente Conceição de Macabu e Macaé apresentaram um desempenho diferente, sentindo a desaceleração de 2003, porém se recuperando rapidamente e superando o nível de atividade de 2000.

É importante observar que o acidente com a plataforma de petróleo P36 em março de 2001 não pode ser considerado como responsável pela retração do nível de atividade na região. Todos os municípios produtores de petróleo, exceto São João da Barra, não interromperam a trajetória de crescimento da receita de royalties. São João da Barra experimentou uma queda de receita em 2002, ano seguinte do acidente, de 66,84%, porém seguiu a trajetória de crescimento nos anos seguintes.

Mesmo considerando um processo de recuperação da economia na região, o nível de atividade em 2008 foi inferior ao nível de atividade em 2000. Nessa análise, Campos dos Goytacazes perdeu 18,58%, Carapebus perdeu 15,62%, Cardoso perdeu 1,56%, Quissamã perdeu 19,61%, São Fidélis perdeu 8,82%, São Francisco de Itabapoana perdeu 16,22% e São João da Barra perdeu 16,40%. Conforme já foi indicado, Macaé cresceu sua atividade econômica em 56,39% e Conceição de Macabu cresceu 10,20% no período analisado.

Na verdade o crescimento consistente da receita de royalties não foi suficiente para recuperar o nível de atividade perturbada pela recessão. Segundo os dados, os municípios não produtores sofreram menos com a recessão e Conceição de Macabu chegou a apresentar crescimento.


A universidade como fórum de discussão sobre a economia regional

Gradualmente a universidade vem se consolidando como um importante espaço de discussão sobre as possibilidades de desenvolvimento econômico na Região Norte Fluminense. Hoje o Laboratório de Engenharia de Produção recebeu o economista Ranulfo Vidigal, que proferiu palestra sobre a conjuntura econômica atual, as oportunidades e ameaças frente aos investimentos correntes. O economista, que é presidente do Centro de Informações e Dados de Campos, entende que os atuais investimentos no complexo portuário do Açu e os subsequentes, exigem um ambiente melhor aparelhado em termos de mão-de-obra qualificada, tecnologia, práticas relacionais pró cooperação e reciprocidade, rede de fornecedores, os quais são vistos como gargalos no momento. Para o economista, o processo de transformação, iniciado com o complexo portuário do Açu, vai atrair um contigente de empresas para a região, já que a conjuntura mundial é promissora por conta da boa dinâmica econômica, especialmente dos países que compõem o chamado BRIC (Brasil, Rússia, India e China). A estrutura logística em construção no Açu, puxará o crescimento econômico e gerará externalidades negativas. Diante dessa possibilidade, o economista reafirma a importância do poder público na formulação de políticas públicas, capazes de amortecer potenciais problemas que podem aprofundar a exclusão e a pobreza.

A percepção demonstrada pelo palestrante sobre a importância do conhecimento nessa empreitada e da condução do debate técnico juntamente ao debate político no esforço de superação da decadência econômica da região, devem ser vistos também como uma oportunidade potencial para a formulação de políticas públicas em busca do desenvolvimento regional.

terça-feira, 2 de março de 2010

Projeto Capacitar e a pesca de cativeiro em São João da Barra

O Projeto Capacitar para Transformar Sistemas de Produção Local aplica conceitos de organização produtiva em rede, cujo fundamento principal se baseia no postulado de concorrência com cooperação. As experiências ocorrem no cultivo de tilapia em tanques forrados com plástico, no balneário de Atafona em São João da Barra. Apesar das dificuldades oriundas de aspectos culturais, históricos e políticos, os resultados são consistentes e importantes.
Efetivamente, em cinco anos de experiência, somente um produtor se engajou no projeto. Essa interação tem possibilitado resultados importantes no campo material e imaterial. No campo imaterial, aspectos como confiança e reciprocidade estão fundamentados. No campo material, resultados econômicos relevantes foram contabilizados em 2009/2010. Este único produtor produziu nos seus vinte tanques mais de uma tonelada de peixes que processada, possibilitou que o mesmo negociasse seu produto durante o verão. Segundo o produtor, sem essa possibilidade ele não conseguiria trabalhar já que o peruá, peixe capturado no mar e, tradicionalmente, comercializado nas praias, teve a sua oferta substancialmente reduzida e os preços praticados subiram fortemente.
Outro aspecto importante é que o projeto criou o ábito do consumo de tilapia, espécie anteriormente desconhecida na região.
Entendemos que é uma pena esta condição de desinteresse do produtor e ausencia de apoio institucional, fator que materializa a fragilidade do capital social no municicpio, elemento que alimenta a condição de ausência do perfil empreendedor e a postura individualista e assistencialista.