A Região Norte Fluminense: perspectivas 2010

Afinal, como a economia da região norte fluminense vai se comportar no próximo ano? O otimismo é visível, especialmente em função dos grande projetos do Açu, já em andamento, e em Barra de Furado em planejamento. Naturalmente, toda a movimentação já verificada em São João da Barra, por conta do complexo portuário do Açu, é altamente positiva sob todos os aspectos, já que estão presentes diversas empresas que geram trabalho e renda e tributos no município. Entretanto, se imaginarmos que o objetivo fundamental dessa transformação está na geração de emprego e renda e, sobretudo, no bem estar da sociedade local, temos uma outra questão a avaliar.

Como exemplo, o emprego formal parece não expressar as espectativas dos mais otimistas. As obras do porto do Açu evoluiram fortemente em 2009, cuja fase de construção do pier de aproximadamente 3 km, alcançou 86% de sua totalidade. Mesmo com essa movimentação o município gerou somente 283 empregos líquidos este ano até novembro. Comparativamente ao ano passado em que foram gerados 728 empregos líquidos, pode-se afirmar que o município teve uma queda de 61,12% no saldo de emprego em 2009. É importante frisar que estamos falando em investimentos da ordem de R$1,128 bilhão, já realizados.
Um outro resultado nada animador vem de Macaé, município que se beneficia da presença de um quantitativo relevante de empresas que, em 2009, amargou uma forte queda do saldo de emprego. O saldo até novembro desse ano foi de 391 empregos líquidos, contra 10.013 em 2008. Uma queda de 96,09% neste ano.
Campos dos Goytacazes, apresentou o melhor resultado entre os principais municípios da região na absorção de investimentos externos. Campos gerou um saldo líquido de emprego de 2.231 em 2009 até novembro, contra um saldo de 1.989 em 2008, representando um crescimento de 12,16%.
A conjuntura econômica que se forma para 2010 está centrada em alguns pilares fundamentais: 1. Em Macaé, a Petrobrás e empresas contratantes de serviços aprofundam o grau de exigências sobre maior qualificação e inovação dos contratados. Isso exclui pequenas e médias empresas menos profissionalizadas e gera desemprego.
2. Em São João da Barra, os investimentos do complexo portuário serão mais exigentes em relação a qualificação de pessoal e a natureza da fase de operação, por si só, demanda um número menor de trabalhadores, porém com nível maior de escolaridade.
3. Em Campos dos Goytacazes, a sustentabilidade do emprego está no setor sucroalcooleiro que se fragiliza a cada ano. As espectativas do setor para o ano de 2010 não apresentam nehuma novidade.
Conclusivamente, a economia regional está centrada nas expectativas dos investimentos externos do complexo portuário do Açu, Barra do Furado e na cômoda condição de produtora de petróleo que lhe garante 50% do orçamento público, sem nehum esforço adicional. Falta planejamento econômico e um olhar mais apurado e inovativo para os recursos locais.

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