Reflexos do Subdesenvolvimento

O Projeto Capacitar para Transformar Sistemas de Produção Local funciona em Atafona - São João da Barra e foi constituído pelo convênio de cooperação técnica entre a UENF e a Prefeitura Municipal. Institucionalmente, o projeto não se materializou em função do desrespeito a contratos, porém evoluiu no contexto mais informal, desenvolvendo pesquisas relacionadas ao cultivo de Tilápia em cativeiro e outras ações de extensão junto aos produtores rurais e instituições privadas. As dificuldades foram inúmeras, especialmente, a ausência do perfil empreendedor no setor agrícola e a falta de apoio do poder público, fato que estimulou a prática de saques ao pequeno patrimônio do projeto em função da falta de segurança. Além de arrombamento com roubo de diversos equipamentos, os mais caros, em 2007, todos os anos ocorrem perdas correspondentes a metade do cultivo por roubo noturno, mesmo tendo de um lado a Corporação dos Bombeiros e do outro lado as instalações do Balneário, que conta diversos vigias. Nesta semana, fomos surpreendidos por mais um saque noturno que além de subtrair parte dos peixes, destruiu as instalações de um dos tanques, conseqüentemente, matando uma grande quantidade de peixes por falta de água.

Na verdade, atos dessa natureza mostram claramente o baixo grau de civismo e respeito às normas institucionalizadas de grupos da sociedade. Ações covardes e de desrespeito ao patrimônio público, já que o projeto não é particular e foi criado para fomentar a atividade de piscicultura na cidade, de forma a melhorar o nível de renda dos produtores rurais. Os esforços desenvolvidos ao longo desses anos representam o nosso interesse, enquanto pesquisador, servidor público estadual, que por formação básica busca a ética, o respeito e o bem estar público.

A literatura internacional tem nos ensinado que dificilmente uma sociedade avança socialmente e economicamente, quando apresenta um tecido social fragilizado, ou seja, com deficiências cívicas, com desrespeito, individualismo exacerbado e negação do interesse coletivo.

Todo esse quadro me leva a não ter boas expectativas em relação a continuidade do projeto nas condições atuais. Só lamento abandonar um ideal importante que, efetivamente, demonstrou ser viável em função dos excelentes resultados tangíveis e, fundamentalmente, intangíveis.

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