sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Indicadores Financeiros em 2010

O ano de 2010 fecha com o ouro atingindo a marca de 32,26% de rentabilidade, a maior entre as outras operações financeiras. As aplicações em CDBs atingiram 9,97%, os Fundos DI 9,66%, a caderneta de pouçança 6,90% e a poupança um rendimento no ano de 1,04%. O dólar, na contra-mão, apresentou uma perda de 4,42% no ano, enquanto que a variação de preços medida pelo Índice Geral de Preços Ampliado bateu 11,32% no ano.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO

DESEJO A TODOS OS LEITORES E SEGUIDORES UM FELIZ ANO NOVO
Abraços, Alcimar Chagas

Complementando a Discussão Orçamentária em São João da Barra

Visando contribuir no processo de discussão sobre a questão orçamentária em São João da Barra, disponibilizo mais informações que serão importantes para uma melhor reflexão sobre o assunto.
A tabela apresenta um comparativo entre os valores orçamentários previstos e realizados em 2009 e 2010, considerando que em 2010 fiz algumas estimativas para o fechamento.
Observe que existem problemas na formulação do orçamento, já que a diferença entre os valores previstos e os realizados aumentou em 2010, comparativamente a 2009. O total de Receita orçamentária realizada em 2009 foi 28,3% menor do que a sua previsão no mesmo ano, enquanto que em 2010 essa diferença poderá aumentar para 30,4%. Outro previsão bastante comprometida se deu em relação as Receitas Tributárias. Em 2009 o valor realizado superou a previsão em 25,7% e em 2010 o valor realizado deverá ficar 48,8% abaixo do previsto.

As previsões das Transferências Constitucionais também apresentam fortes distorções, já que em 2009 o valor realizado foi 31,8% menor do que a previsão e em 2010 o valor realizado poderá ficar 29,6% abaixo do valor previsto. Quero insistir que a não consideração de elementos importantes na formulação da peça orçamentária, tais como, a análise da conjuntura econômica interna a cidade e cenários econômicos externos, sempre induzirá a erros grosseiros de elaboração e, consequentemente, o comprometimento da gestão orçamentária no exercício corrente.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Porto do Açu e o Negócio de Minério de Ferro

Matéria do Jornal Estado de São Paulo de hoje
Clarissa Mangueira, da Agência Estado

LONDRES - A mineradora global Anglo American disse que obteve tarifas de longo prazo atrativas para seu projeto de minério de ferro no Brasil, em troca de assumir uma parcela maior dos custos de desenvolvimento do porto de Açu. A Anglo American possui uma fatia de 49% no porto, enquanto a LLX Logística detém os 51% restantes. Às 10h45 (de Brasília), as ações da mineradora subiam 1,33% na Bolsa de Londres.

"Nós asseguramos agora uma posição de custo extremamente competitiva para o nosso projeto de minério de ferro Minas-Rio no Brasil", afirmou a executiva-chefe da companhia, Cynthia Carroll, num comunicado.

A Anglo American concordou em pagar US$ 525 milhões adicionais para desenvolver o porto de Açu, o que levará a participação da companhia no custo de desenvolvimento do porto para US$ 1,2 bilhão, dos valor total de US$ 1,5 bilhão, de acordo com um porta-voz da mineradora.

No acordo com LLX, a Anglo American assegurou um contrato fixo de 25 anos, segundo o qual a mineradora pagará uma tarifa bruta portuária de US$ 7,10 por tonelada, ou de US$ 5,15 por tonelada uma vez que a participação da empresa no porto seja levada em conta. A tarifa portuária será aplicada à primeira fase do projeto Minas-Rio, que está previsto para produzir 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Se o volume de minério de ferro transportado superar esse montante, será aplicada uma tarifa bruta mais baixa de US$ 4,25 por tonelada, desde que não haja necessidade de expansão portuária.

A Anglo American espera iniciar a construção do projeto em março e afirmou que serão necessários de 27 a 30 dias para a realização do primeiro transporte de minério de ferro proveniente da mina. O porta-voz da companhia afirmou que a capacidade portuária será mais do que suficiente para cobrir a primeira fase do projeto, sem fornecer mais detalhes. As informações são da Dow Jones.


A Realidade Orçamentária e Práticas de Execução

Segundo matéria publicada pelo Jornal O Globo de hoje, o Governo Federal realizou somente 26% do total de investimentos aprovado pelo Congresso Nacional em 2010. Do total de R$69,5 bilhões de investimentos aprovados, somente R$18,4 bilhões foram efetivamente concluídos e pagos até 25 de dezembro. Uma prática que vem inviabilizando a execução orçamentária do exercício é a realização dos "restos a pagar" (despesas de anos anteriores não pagas no exercício correspondente), que neste ano supereram o valor da execução das despesas de investimentos de 2010. De qualquer forma, o que chama a atenção é a dificuldade em gastar os recursos alocados em investimento. Só para lembar, investimento representa criar condições necessárias para o processo de reprodução econômica e garantia futura de melhor condição de vida para a população. Em contrapartida, o custeio representa a utilização dos recursos em necessidades presentes sem o comprometimento necessário com o futuro.
A presente dificuldade relativa ao uso dos recursos orçamentários de investimento, parece ser uma realidade em todo o país. Recentemente, o município de São Joaõ da Barra foi palco de grandes discussões sobre suplementação orçamentária e conflito entre o Legislativo e o Executivo. A luz dessa discussão observamos que este município, com uma robusta dotação orçamentária de R$355.952.391,00 em 2010 e alocação de R$114.186,261,70 para investimentos no mesmo exercício, só conseguiu liquidar o montante de R$2.995.613,70 até junho de 2010. Esta realização orçamentária em investimento representa em termos relativos, somente 2,62% do total previsto. Porém, se considerarmos até esta data as despesas empenhadas em investimento, o valor sobe para R$10.597.813,80 representando 9,28% do total orçado para o ano. Com base nesses dados do TCE-RJ, podemos concluir que a presente discussão sobre recursos para custeio em um contexto de dificuldades de realização de gastos em investimento, parece uma contradição.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Aspectos da Conjuntura Econômica na Região Norte Fluminense em 2010

Seguindo a conjuntura econômica brasileira, a economia fluminense vai fechar 2010 com resultados bastante significativos, a exemplo da produção industrial que crescerá a uma média maior do que a média nacional. A Região Norte Fluminense, objeto de nossa análise, também apresentará indicadores muito importantes neste ano que se encerra.
Seguindo a trajetória nacional, a oferta de crédito no sistema bancário da região deverá fechar o ano expressando um crescimento nominal de aproximadamente 25% em relação a 2009. O sistema bancário de Campos dos Goytacazes será responsável por cerca de 50% dessa oferta, enquanto que o sistema bancário de Macaé responderá por 40% do total do credito negociado. O valor esperado relativo a operações de crédito no sistema bancário da região poderá chegar a R$2.015.660.171,00 em 2010, contra R$1.612.528.137,00 no ano passado.

O nível de emprego na região em 2010 superou, substancialmente, o ano passado, cujo saldo negativo, representou a destruição de 817 empregos. A região gerou de janeiro a novembro deste ano, um representativo saldo entre admissões e desligamentos da ordem de 16.554 novos empregos, sendo o município de Campos responsável por 50,65% e Macaé responsável por 45,28% desse total.

As operações de comércio exterior corroboram com a boa conjuntura regional. O saldo superavitário até novembro de 2010 chegou ao valor de US$365.012.217 que é maior 219,77% do que o saldo superavitário de US$114.147.763 apurado em 2009. Nas atividades de comércio exterior, o município de Macaé se destaca em função da indústria petrolífera.

No contexto das contas públicas, a expectativa é de um crescimento nominal de 13,74% nas transferências constitucionais em 2010 com relação a 2009. Tendo em vista a consistente representatividade dessas transferências nas receitas orçamentárias, o crescimento indicado tem um papel relevante. Entretanto a visão, ainda parcial, é de que o nível de investimento nos municípios da região não apresenta avanço. Permanecem em 2010 fundamentos antigos, tais como: uma forte dependência do poder público local as transferências governamentais, receitas tributárias excessivamente baixas e uma grande dificuldade dos municípios em fazer investimentos. Observa-se que parte relevante das receitas orçamentárias tem sido dirigida para custeio.

A visão de ordem sistêmica apresenta resultados importantes, porém, extremamente concentrados. Campos dos Goytacazes conta com uma indústria açucareira em decadência, porém ainda muito importante na geração de emprego, tendo em vista a sua natureza, estabelecida através de elos da cadeia produtiva (atividade agrícola, indústria, serviços diversos e comércio). Por outro lado a construção civil, impulsionada por investimentos públicos e privados, favoreceram também o emprego neste ano pelas boas condições de crédito, poupança privada e orçamento público. A indústria petrolífera em Macaé mantém a sua dinâmica, já que concentra um grande número de empresas nacionais e estrangeiras que com a superação da crise financeira internacional, potencializou o emprego no município. São João da Barra apresenta a sua contribuição, ainda que pequena, já que conta com fortes investimentos no Complexo Portuário do Açu.
Em 2011, espera-se um crescimento mais moderado, já que as boas condições de 2010 geraram certo descompasso entre demanda agregada e a oferta agregada, acelerando o nível inflacionário e a necessidade de maior controle sobre a massa monetária, o que poderá fazer subir os juros para inibir o excesso de consumo. Os municípios da região devem investir no planejamento das atividades domésticas no próximo ano, de forma a melhorar o seu poder competitivo e diminuir a atual dependência aos recursos externos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Créditos de Royalties e Participação Especial da atividade petrolífera na Região Norte Fluminense em 2010

A tabela ao lado apresenta os valores de royalties de petróleo, creditados em dezembro nos municípios da Região Norte Fluminense e os valores acumulados em 2010. Campos dos Goytacazes liderou a lista com uma receita acumulada de R$482 milhões, seguido por Macaé com uma receita de R$ 356 milhões. São João da Barra ocupou a terceira posição com uma receita acumulada de R$ 98,3 milhões, seguido por Quissamã com R$72,6 milhões.



Complementam a receita mensal de royalties, as participações especiais pagas ao longo do anos aos municipios produtores de petróleo. Nesta modalidade Campos liderou com com uma receita acumulada de R$615,4 milhões, seguido por São João da Barra, com uma receita acumulada de R$ 104,8 milhões, Macaé com R$91,3 milhões, Quissamã com R$19,9 milhões e Carapebus com R$1,9 milhão.

Somando as duas parcelas, Campos obteve uma receita acumulada oriunda da atividade petrolífera de R$ 1.097.471.700,24
Carapebus obteve uma receita no valor de R$ 29.383.979,70
Macaé obteve uma receita no valor de R$ 447.324.737,99
Quissamã obteve uma receita no valor de R$ 92.538.364,33
São João da Barra obteve uma receita de R$ 203.134.028,20

O conflito sobre a questão orçamentária em São João da Barra: uma visão por traz dos fatos

De toda a confusão criada em São João da Barra sobre a suplementação orçamentária, o meu pitaco é de ordem técnica, o que leva a seguinte pergunta: qual é o verdadeiro problema que originou o presente conflito? Na verdade, a ausência de competência na formulação do orçamento. Tecnicamente, a concepção de um orçamento deve respeitar quatro etapas fundamentais, a saber: projeção das receitas orçamentárias através de critérios rigidamente técnicos, projeção das necessidades no contexto das funções, definição dos programas por função e elaboração de projetos dentro dos programas estabelecidos. Como exemplo, usaremos didaticamente a problemática da discórdia entre o executivo e o legislativo.

No orçamento aprovado para 2010, deveria constar no conjunto das funções absorvedoras de necessidades, a função turismo e lazer, a qual levaria ao esforço de identificação de programas, como por exemplo, dentre outros, o programa “contratação de shows profissionais” (artistas de renome nacional) e os respectivos projetos associados. Neste caso cada contrato seria classificado como um projeto, com o respectivo valor de contratação e estrutura necessária, forma de desembolso e análise do custo/benefício.

Esta análise seria resultado da comparação entre a projeção do desembolso dos recursos orçamentários do projeto e a projeção dos benefícios em função do quantitativo de turistas atraídos pelo evento, o gasto médio individual, o número de comerciantes locais e externos envolvidos, os empregos diretos gerados, o grau de absorção local das externalidades positivas e, fundamentalmente, o custo de oportunidade. Quer dizer; quais os projetos que o município deixaria de realizar para que este projeto fosse realizado. Tal fato prende-se ao conceito de que os recursos são escassos e as necessidades são ilimitadas, daí a necessidade de definir prioridades no contexto orçamentário.

Esta rotina deve ser considerada para a identificação das outras funções, seus programas e projetos relacionados. Complementarmente, a gestão orçamentária é essencial no sentido de cumprir os elementos estabelecidos no orçamento, de maneira a inibir situações complexas como ter dinheiro e não ter orçamento ou mesmo ter orçamento e não ter dinheiro.

Diante desses princípios, pode-se confirmar a ineficiência técnica no processo de construção do orçamento municipal, cuja prática histórica orienta a alocação das receitas orçamentárias por secretarias. As mais importantes, segundo o critério de confiança do gestor, recebe mais recursos e durante a gestão as articulações permitem transferências, segundo o interesse do grupo gestor, que normalmente não conta com oposição legislativa.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Movimentação do Emprego em Novembro nos Municípios com menos de 30 mil habitantes na Região Norte Fluminense


A tabela apresenta a movimentação do emprego em novembro, nos municípios com menos de trinta mil habitantes na Região Norte Fluminense. Conceição de Macabu apresenta um saldo negativo de emprego nos período de janeiro a novembro, enquanto Quissamã apresenta o maior saldo no conjunto desses municípios. As ocupações com os maiores saldos no município foram: professor do ensino fundamental com 102 novos empregos, salva vidas com 93 empregos, costureiro da atividade de confecção com 38 empregos, agropecuária com 33 empregos.
São João da Barra, apesar dos investimentos nas obras do complexo portuário do Açu, gerou um número menor de emprego do que Quissamã. As ocupações com os maiores saldos no município foram: servente de obras com 140 empregos, motorista de caminhão com 57 empregos, porteiro com 33 empregos e soldador com 28 empregos.

A figura ao lado apresenta a trajetória dos saldos de emprego no período de janeiro a novembro em São João da Barra. Observa-se uma trajetória de declínio no segundo semestre do ano.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Uma avaliação da Atividade Agrícola de São João da Barra

No período entre os anos de 2007 a 2009, a agricultura em São João da Barra vem mantendo os seus indicadores com ausência de variações significativas. Na lavoura temporária, a cana-de-açúcar lidera com 91,90% da área colhida nos três anos consecutivamente, seguida pela cultura do abacaxi com 5,74% da área colhida, mandioca com 1,44% e as culturas de batata-doce e melão distribuídas nos 0,96% restantes da área cultivada. A área total de 3.482 hectares colhida em 2007 na lavoura temporária é a mesma em 2009 e menor 23,29% da área colhida em 2005.

No que diz respeito à produção total, observa-se a manutenção da produção de cana-de-açúcar em 179.200 toneladas ao ano no período analisado. Entretanto, a produção do abacaxi caiu de 5,0 milhões de frutos em 2007 para 4,6 milhões de frutos em 2008 e 2009. O valor monetário da produção total, entretanto, depois de apresentar uma queda de 2,87% em 2008 com base em 2007, cresceu 28,29% em 2009 em relação a 2008, em função da forte recuperação do preço da cana de açúcar que apresentou um crescimento de 48,16% em 2009 com base em 2008.

Desta forma podemos inferir que a produtividade média da cana de açúcar, considerando produção/área plantada, foi nula, já que o rendimento permaneceu em 56 toneladas por hectare nos três anos. O cultivo do abacaxi, o segundo mais importante do município, apresentou uma queda de 8% no rendimento médio, caindo de 25 mil frutos por hectare em 2007 para 23 mil frutos por hectare em 2008 e 2009. Os outros produtos (mandioca, batata-doce, melão e tomate, mantiveram o mesmo rendimento médio nesse mesmo período).

Na produção agrícola de lavoura permanente, o cultivo de goiaba e coco-da-baía concentra 93,17% área colhida total de 161 hectares em 2009. A área colhida de goiaba permaneceu em 70 hectares nos anos de 2007, 2008 e 2009, enquanto que a área colhida de coco-da-baía permaneceu em 70 hectares no mesmo período. A quantidade produzida de goiaba permaneceu em 2.100 toneladas, enquanto a quantidade produzida de coco-da-baía permaneceu em 1,6 milhões de frutos nos anos de 2007, 2008 e 2009.

O valor da produção também não apresentou nenhuma variação, contribuindo a goiaba com R$1,2 milhão e o coco-da-baía com R$640,0 mil na receita total de R$1,8 milhão nos anos analisados. Também na atividade de cultura permanente podemos confirmar a inexistência de produtividade.

Os dados são do IBGE

sábado, 18 de dezembro de 2010

Movimento de emprego em novembro nos municípios com mais de 30 mil habitantes na Região Norte Fluminense



A movimentação do emprego nos municípios da Região Norte Fluminense, com mais de 30 mil habitantes, apresenta evolução no saldo em Macaé e Campos dos Goytacazes. O município de São Francisco de Itabapoana negativou o bom saldo gerado ao longo do ano, mostrando a dependência a cana de açúcar. O saldo de emprego sobe substancialmente no inicio da safra e declina fortemente no final do ano. O municipio de São Fidélis também negativou o saldo positivo anterior, ficando Campos e Macaé como concentradores de emprego no conjunto desses municípios. O saldo de emprego acumulado no ano em Campos está distribuido nas seguintes ocupações: 1.138 vagas na indústria de transformação, 2.908 vagas na construção civil, 1.889 vagas em serviços, 1.650 vagas na agropecuária e 884 vagas no comércio. Em Macaé a distribuição é a seguinte: 6.164 vagas em serviços, 704 vagas na indústria de transformação, 851 vagas no comércio e 256 vagas na indústria extrativa mineral.



A figura ao lado, apresenta a trajetória do saldo mensal de geração de emprego nos municipios de Campos e Macaé. Observa-se em Campos a força do setor canavieiro que no início da safra em maio contribuiu fortemente para o pico de geração de emprego. Macaé apresentou uma trajetória menos sazonal em função da forte atividade de serviços, podendo fechar o ano muito próximo ou acima do bom saldo gerado em Campos em 2010.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Entendendo Os Espaços Locais Além dos Modelos Convencionais de Comunicação

A III Conferência Local de Controle Social: O Complexo do Açu, Impactos e Oportunidades, promovida por MNC, ITEP-PROEX/UENF, OCSP, com apoio da UENF, IFF, CEPECAM/UCAM e sob a coordenação do professor Hamilton Garcia (Coordenador de Extensão-CCH/UENF) e Nilza Franco (ITEP-PROEX/UENF), ontem no centro de convenções da UENF, foi bastante concorrido e dentre os diversos pontos de substancial relevância, dois serão realçados nesta discussão. O primeiro diz respeito à disposição do grupo empresarial X em se constituir como empreendedor ativo e indutor do fortalecimento dos atores que compõem o território, no que diz respeito a sua inserção ao processo de transformação. O segundo diz respeito a feliz constatação da existência, especialmente, em Campos dos Goytacazes, de uma massa critica importante no contexto da pesquisa acadêmica e disposta a entender o novo momento, contribuindo para a formação de melhores resultados socioeconômicos para a região.

Uma outra questão que merece ser realçada e que norteou todo o debate está relacionada ao programa de gestão integrada do território que será coordenado pelo empreendedor. Neste aspecto, vejo algumas dificuldades, como o que talvez possa chamar de “rigidez do saber”. O empreendedor imagina que através da orientação de especialistas estrangeiros é possível integrar o território de forma a inibir o isolamento da aglomeração industrial e a exclusão da sociedade local. Primeiro vejo certas contradições no conceito de território, que deve ser visto como um espaço relacional e não um espaço físico. Neste caso, existe um saber e uma cultura local que deve ser considerada. É preciso entender que existe na região a predominância de um frágil tecido social que tem alimentado elementos, como: a desconfiança, a deterioração de valores, o desrespeito a regras institucionais, o individualismo e a forte dependência econômica de um grande grupo de indivíduos a política partidária. Um ambiente assim constituído não responde a ações coletivas e reagem a qualquer tipo de integração. Tal fato, inclusive, tem desmotivado iniciativas empreendedoras, tanto nas atividades urbanas, quanto nas atividades rurais.

Considero que a indução é essencial para quebrar os presentes gargalos, entretanto além da visão holística, faz-se necessário a implementação de ações que gerem resultados incrementais e gradativos de maneira a animar setores importantes que, na esteira desses exercícios, possam ir construindo uma melhor condição de confiança e melhorando o tecido social, de maneira a fortalecer a capacidade de respostas aos programas mais robustos de inserção da sociedade local ao novo movimento de forte transformação, ora em andamento.

Nesta estratégia, o saber local, tanto formal quanto informal, costuma ser mais importante do que o saber internacional que é desconectado da realidade local e que, no máximo, pode se constituir num pacote tecnológico com alta credibilidade para os acionistas do grupo empresarial, entretanto sem possibilidade de alcançar objetivos práticos mais relevantes.

De qualquer forma, essas iniciativas provocam discussões importantes e geram um aprendizado que, certamente, auxiliará a construção do processo de amortecimento dos desequilíbrios que são próprios desse tipo de investimento.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Entendendo o Novo Ciclo Econômico em São João da Barra Através do Contexto Histórico

O município de São João da Barra vivencia o seu segundo ciclo de crescimento econômico com o advento do complexo portuário do Açu, em construção há três anos. Nos dois momentos ocorreu o que podemos classificar de “acidente histórico”, capitaneado por uma vantagem de localização baseada em recursos naturais, mais especificamente, o Rio Paraíba do Sul e Oceano Atlântico, consecutivamente.

Outras coincidências são importantes, no entendimento do processo evolucionário da presente aglomeração industrial. No início do século XVIII, as dificuldades para transportar mercadorias até os mercados mais importantes e a viabilidade técnica de uso do Rio Paraíba do Sul, qualificaram São João da Barra como base logística para os produtos das regiões norte e serra fluminense, interior de Minas Gerais e Espírito Santo. Durante aproximadamente 150 anos os navios partiam do município, escoando açúcar, farinha de mandioca, charque bovino, madeiras-de-lei, derivados de leite, frutas, café, leguminosos e hortaliças para os portos de Salvador, Recife, Rio de Janeiro e Santos.

Toda essa movimentação transformou o município que atraiu empresários importantes com investimentos, especialmente, no ramo da construção naval. O município chegou a ter uma base industrial composta de seis estaleiros que movimentavam muitos trabalhadores e geravam riqueza para os empresários. Estes investiam na construção de suntuosos casarões e outras atividades culturais de forma a melhor usufruir de todo status, próprio do presente surto de prosperidade, enquanto a massa de salários incrementava o comércio local e regional.

A cidade experimentou um importante crescimento econômico durante o período de 1740 a 1880 e o conseqüente declínio no final do século XIX. A crise nos engenhos em função da queda da oferta de trabalho escravo, a abertura do canal Campos Macaé, a liberação da navegação de cabotagem aos barcos de bandeira estrangeira e a chegada da estrada de ferro, representaram elementos importantes no processo de perda do poder competitivo do transporte de cabotagem, desmontando toda a estrutura industrial que como alternativa de sobrevivência foi conduzida para o Rio de Janeiro, deixando para trás um ambiente decadente de pobreza. No século XX, a cana-de-açúcar em decadência e a fábrica de bebidas, iniciado nos primeiros anos do século, evitaram o pior.

Algumas considerações sobre a decadência da estrutura portuária do município levam a importantes questões de ordem econômica, como: a falta de investimentos para inibir problemas relativos ao assoreamento no Rio Paraíba; condições inadequadas de armazenamento dos produtos; custo elevado do frete e baixa produtividade operacional; e questões de ordem não econômicas, como: interferência política na indicação profissional sem a adequada qualificação e uma postura de acomodação da sociedade local frente ao desmanche da estrutura industrial. Um outro elemento importante relaciona-se a não internalização sistematizada e com resultados econômicos do conhecimento específico da construção naval pelas gerações seguintes.

Considerando o aspecto temporal e, naturalmente, a evolução tecnológica nesses duzentos e cinqüenta anos, dentre os modernos gargalos competitivos, o relacionado ao escoamento de produtos em direção aos mercados mais importantes, continua sendo uma fonte de problemas. Os portos brasileiros compõem o chamado “Custo Brasil”, fator que inibe o avanço do comércio internacional e tira a competitividade de setores importantes da economia brasileira, pressionando o emprego e a renda interna.

Neste cenário, o município volta a se habilitar como base logística para o escoamento de minério de ferro de Minas Gerais e outros produtos de qualquer parte, já que apresenta condições de viabilidade técnica e competitiva perante os portos mais importante do país. A presente estrutura logística, construída numa retro área com acesso ao oceano Atlântico, poderá atrair diferentes aglomerações industriais em busca de vantagens competitivas.

Entretanto é essencial um melhor entendimento sobre a presente trajetória histórica, de forma a auxiliar no processo de fortalecimento do espaço sócio-territorial para uma melhor inserção socioeconômica. Desta maneira, podem-se inibir os riscos e as externalidades negativas oriundas do primeiro ciclo econômico.

Conferência Local de Controle Social

Divulgação

III Conferência Local de Controle Social: O Complexo do Açu, os Impactos e as Oportunidades 1ª etapa: 16/12, 5ªf, 17:30, na UENF (auditório IV do Centro de Convenções) promoção: MNC, ITEP-PROEX/UENF, OCSP. apoio: UENF, IFF, CEPECAM/UCAM. coordenação: Hamilton Garcia (Coordenador de Extensão-CCH/UENF), Nilza Franco (ITEP-PROEX/UENF). mesa de abertura: Almy Carvalho (Reitor da UENF), Hélio Gomes (Pró-Reitora de Pesquisa/IFF), Rogério Matoso (Presidente da Câmara de Vereadores de Campos) e Aurélio Lorenz (MNC/OCSP). mesa de palestrantes: Paulo Monteiro (Diretor de Sustentabilidade do Grupo EBX) Romeu Neto (Diretor de Pesquisa e Pós Graduação/IFF-Campos) Eraldo Bacelar (Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Petróleo/PMCG) Alcimar Chagas (Economista/UENF) Aristides Soffiati (Historiador/UFF-Campos) participação especial no púlpito: … debatedores no púlpito: Luiz Concebida (Gerente Regional da FIRJAN/NF) Roberto Moraes (Pró-Reitor de Desenvolvimento Institucional/IFF-Campos) manifestação especial do plenário: Nilza Franco (Coordenadora do ITEP/UENF) Sérgio Rangel (Empresário do ramo hoteleiro/SJB) Davi Nascimento (Líder do Assentamento Marrecas) Rodolfo Ribeiro (Líder da Colônia de Pescadores Z19/Farol de São Tomé) Lerieste Silva (Presidente da Associação de Moradores da Instancia da Penha)
OBS: atualizado em 13/12/10.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As distorções provocadas pelo PIB nos municípios produtores de petróleo

O IBGE divulgou o Produto Interno Bruto (PIB) de 2008. Conceitualmente o PIB representa a soma da produção final, medida em valores monetários num país, estado ou município em um determinado ano. Resumindo, indica a riqueza gerada num determinado espaço territorial. Será mesmo?
Na verdade esse indicador que já foi tão relevante para verificar a riqueza associada aos países, parece que, em alguns casos, mais confunde do que explica. Vejamos o caso dos municípios produtores de petróleo da Região Norte Fluminense, cujos valores contabilizados não compatibilizam com a real situação econômica dos mesmos. A indústria petrolífera de águas profundas por sua natureza não apresenta uma maior proximidade com esses municípios, a não ser Macaé que sedia um número substancial de empresas do setor.
Então podemos observar na tabela acima valores sem muito significado como o PIB per capita de Quissamã em R$177.851,28 e o PIB per capita de São João da Barra em R$88.534,47. Observe também que Conceição de Macabu apresentou o menor PIB per capita no valor de R$7.075,16, somente 3,97% do PIB per capita do seu vizinho Quissamã.
Por outro lado, Campos como o município mais importante da região apresentou um PIB per capita de R$67.445,76, abaixo de São João da Barra e Quissamã.
Agora vejamos que um indicador importante para medir a dinamica econômica local é o Índice de Participação Municipal no ICMS. O calculo desse repasse aos municípios leva em consideração o valor adicionado fiscal relativo a circulação de mercadorias e prestação de serviços realizados no território, o qual representa 3/4 do valor total. Assim, quanto maior a movimentação econômica no espaço, maior o índice de repasse. Vejamos que Macaé apresentou o maior índice da região em 2010, cuja base é o exercício econômico de 2008. Campos aparece em segundo lugar, seguido por Quissamã. Observe que São João da Barra tem um índice menor do que o de São Francisco de Itabapoana, quer dizer que esse município apresentou uma maior dinamica econômica do que São João da Barra com todo petróleo.

Ainda para facilitar o presente entendimento, calculamos o coeficiente de custo/benefício através da relação PIB a preços correntes e emprego gerado em 2008 para alguns municípios de porte médio em alguns Estados da Federação. É razoável tal associação, já que geração de riqueza deve provocar geração de emprego. Neste caso, Campos dos Goytacazes chama atenção por apresentar o maior índice de custo/ benefício na relação PIB emprego, ou seja, 14,6. Esse índice indica que para cada emprego foram consumidos R$14,6 milhões. Naturalmente, quanto menor a relação melhor é a situação do município.
Dentre os municípios selecionados, observamos que Serra, no Espirito Santo, apresentou um índice de 2,0 o que define que para cada emprego gerado foram consumidos R$2,0 milhões, ou seja, o custo/benefício de Serra equivale a 13,7% do custo de Campos. Outros municípios de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande dos Sul, sem a "riqueza" de petróleo do Rio de Janeiro, apresentaram indicadores substancialmente melhores, o que confirma que o PIB, especialmente, nos municípios produtores de petróleo distorce os verdadeiros resultados econômicos.
Olhamos ainda a participação da indústria de transformação no PIB desses municípios e verificamos que Campos concentra 83% do PIB na indústria, enquanto Serra concentra 37%, Barueri 15%, Araucaria 37%, Itajai 10% e Canoas 30%. Quer dizer, fica evidente que o uso do PIB, no caso dos municípios produtores de petróleo, pode distorcer potenciais análises econômicas no sentido da definição de políticas públicas .

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

PIB municipal 2008

Mensagem da Fundação CEPERJ

PRODUTO INTERNO BRUTO DOS MUNICÍPIOS

O Produto Interno Bruto dos municípios do Estado do Rio de Janeiro em 2008, calculado pelo IBGE, em parceria com os órgãos estaduais de estatística, dos quais faz parte a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro – CEPERJ/Centro de Estatísticas, Estudos e Pesquisas - CEEP, revela a distribuição regional da atividade econômica dos 92 municípios fluminenses, na qual não se observou alteração nos principais postos entre 2007 e 2008. Nos últimos anos vem se confirmando um processo de desconcentração espacial da atividade produtiva da Região Metropolitana. Assim, esta Região continuou a ter participação preponderante, porém declinante, com 70,5% em 2007 e 67,8% em 2008. As demais, ganharam participação: a Norte Fluminense (10,8% em 2007 e 13,0% em 2008); a Médio Paraíba (6,0% e 6,2%); a Baixadas Litorâneas (5,7% e 5,9%); exceto a Serrana (3,4% em 2007 e 2008). Vale registrar que nas Regiões Norte Fluminense e Baixadas Litorâneas a atividade de extração de petróleo e gás assume grande destaque e, na Médio Paraíba, é a atividade automobilística que tem mais impulsionado a economia.

Em relação ao desempenho municipal em 2008, cinco municípios destacaram-se na liderança das participações no PIB do estado e concentraram 68,1% da economia fluminense, contra 69,1% em 2007: Rio de Janeiro (47,2% em 2007 e 45,1% em 2008); Duque de Caxias (9,5% e 9,4%); Campos dos Goytacazes (7,0% e 8,5%); Niterói (3,0% e 2,7%); e Nova Iguaçu (2,3% e 2,4%). O Município de São Gonçalo, no quinto lugar em 2007, com 2,5%, perdeu essa posição para Nova Iguaçu em 2008. A participação do interior, confirmando sua trajetória de ascensão, passou de 52,8% para 54,9%, registrando acréscimo de 2,1 p.p.

Em termos do PIB per capita, ocorreram alterações nos principais municípios. Em 2007, os cinco primeiro lugares foram de Quissamã, Porto Real, Rio das Ostras, Campos dos Goytacazes e Armação de Búzios. Em 2008, coube a Porto Real a primeira posição, seguido por Quissamã. Já o terceiro posto ficou com São João da Barra que, em 2007, ocupava o décimo terceiro lugar. Rio das Ostras e Campos dos Goytacazes ficaram, respectivamente, na quarta e na quinta posição. Cabe lembrar que, em Porto Real, encontra-se uma montadora de veículos, enquanto que nos demais municípios ocorre a extração de petróleo.

Centro de Estatísticas, Estudos e Pesquisas

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Movimentação Bancária em Setembro na Região Norte Fluminense


Os valores na tabela representam os saldos das operações no sistema bancário em setembro, nos municípios da região Norte Fluminense. Macaé contabilizou R$266,3 milhões de depósito a vista no setor privado, valor superior ao volume de R$216,3 milhões em Campos dos Goytacazes.
No que diz respeito a operações de crédito, Campos superou Macaé, contabilizando R$955,1 milhões contra R$794,1 milhões em Macaé.
Na soma dos depósitos a vista e a prazo, Campos contabilizou R$859,5 milhões no mês, contra R$582,3 milhões em Macaé.


Analisando os índices de preferência pela liquidez do público e dos bancos, pode-se observar um comportamento muito equilibrado no município de Campos. Neste caso, quanto menor o índice melhor a confiança entre bancos e clientes e, naturalmente, melhor o ambiente para investimentos produtivos.
Veja que somente Campos e São João da Barra, apresentaram índices de preferência pela liquidez do público mais baixos, o que indica um bom padrão de confiança do público em relação ao sistema bancário local. Os outros municípios apresentaram índices altos, indicando pouca disposição do público em transformar depósitos a vista em aplicações localmente.
Quanto ao padrão de confiança do sistema bancário, em relação ao público, observa-se que em Cardoso Moreira os bancos não estão dispostos a disponibilizar créditos para o sistema econômico, já que a relação depósito a vista /crédito é extremamente alto. O segundo maior índice ocorreu em São João da Barra, onde o crédito não se mostrou compatível com o valor de depósito a prazo no mês analisado. Lembrando que o crédito é fundamental para investimentos produtivos e geração de empregos.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Feliz Natal



Para os amigos que fazem parte dessa rede de discussão, esperando que no próximo ano possamos contribuir ainda mais para o processo de geração de informações importantes sobre a nossa região. Um forte abraço de Alcimar Chagas Ribeiro.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Comércio Exterior de Minério de Ferro Brasileiro


O comércio exterior de minério de ferro vem ocorrendo a luz de forte pressão dos prinicipais compradores, especialmente, a China, que busca limitar o processo de correção dos preços contratuais. A própria China já declarou a intenção de fazer robustos investimentos na exploração de minério internamente, de maneira a diminuir a dependência atual aos fornecedores, dentre eles, o Brasil que é um parceiro muito importante.
Conforme pode ser verificado na figura abaixo, uma trajetória crescente nos preços praticados ocorreu no período de janeiro a setembro deste ano, perdendo folego e caindo em outubro e novembro.

Os indicadores de volume em tonelada, receita em dólar e preço, praticados em novembro deste ano, comparativamente a novembro de 2009, apresentaram os seguintes resultados: O volume exportado em novembro último foi maior 2,2% do que o volume exportado em novembro de 2009, entretanto a receita de novembro deste ano foi maior 146,1% do que a receita de novembro de 2009. Tal fato foi devido a boa recuperação do preço contratatual que em novembro último foi maior 141% do que o preço praticado em novembro de 2009. Essa é a razão da pressão chineza sobre os fornecedores de minério de ferro, matéria prima que alimenta o forte crescimento econômico desse país.

Movimento da Exportação de Açúcar em bruto do Brasil

A commodity açucar bruto manteve a crescente trajetória de exportação em novembro. O volume comercializado cresceu 14,2% em novembro com base em outubro, enquanto a receita em dólares cresceu 23,1% no mesmo período, favorecida pela valorização do preço em tonelada na ordem de 7,8%.
Considerando os indicadores de novembro de 2010 com relação a novembro de 2009, pode-se observar um crescimento nominal de 65,8% na receita em dólares, 118,3% no volume exportado e 14,8% no preço US$/ton.



A figura ao lado apresenta a trajetória dos preços praticados de janeiro a novembro de 2010. Observa-se que depois do pico em março, o preço entrou em declínio nos meses subsequentes até setembro, redirecionando sua trajetória em outubro e novembro.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Trajetória do Emprego Formal em São João da Barra e o Papel do Porto do Açu



A análise sobre a trajetória do emprego formal em São João da Barra, considerando os períodos 2003/2006 e 2007/2009, indica mudanças importantes e permite traçar um panorama prospectivo do emprego no município. A divisão temporal levou em consideração o inicio das obras do complexo portuário do Açu em setembro de 2007.
Inicialmente, podemos afirmar que houve um aumento significativo do emprego líquido no período 2007/2009, comparativamente ao período 2003/2006. Foram 1.131 empregos líquidos gerados no segundo período, contra 332 empregos líquidos no primeiro período, ou seja, um crescimento de 240,66% que podemos relacionar ao advento do complexo portuário do Açu. O município tinha uma participação relativa de 0,08% do emprego no Estado no primeiro período, passando no período seguinte para uma representação de 0,33%.
A confirmação sobre a importância desses investimentos no aumento do emprego no município e, fundamentalmente, na mudança da natureza do emprego, pode ser visualizada na tabela acima. O município que tinha na base da geração do emprego, ocupações como gari, vendedor de comércio varejista, trabalhador da agropecuária e oleiro da fabricação de tijolos, com a instalação do projeto do porto, incorporou novas ocupações, próprias da construção civil pesada e outros serviços inerentes a nova atividade.
Desta maneira, ocupações com habilidades específicas como: carpinteiro, eletricista de manutenção, soldador, operador de andaimes, motorista de caminhão e furgão, topógrafo e
serventes de obras foram demandadas nesta fase de construção do porto do Açu.
Importante observar que nos dois anos relacionados ao movimento das obras do porto, foram gerados 1.131 empregos líquidos. Neste ano, de janeiro a outubro, foram criados 337 novas vagas de emprego formal no município. Considerando tratar-se de uma fase de construção, onde o movimento de admissão é normalmente maior e existe espaço para mão-de-obra com menor qualificação, o emprego gerado, comparativamente ao volume monetário gasto em torno de R$1,7 bilhões, parece ser baixo. Em relação ao rendimento médio, pode-se considerar uma valorização real em torno de 49,05% em 2009, comparativamente a 2006.
Imaginamos que esses indicadores podem melhor orientar políticas pública em torno de melhor aproveitamento das oportunidades próprias de investimentos dessa magnitude.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Encontro de Erosão Costeira


Consulte www. andreambiental.blogspot.com para mais informações.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Royalties? Petróleo? Grandes Projetos? E ai?

O ambiente de incerteza que está sendo construído, já alguns anos, em função da pressão no país para uma nova forma destributiva dos royalties de petróleo, reforça a tese da necessidade implacável, especialmente, da Região Norte Fluminense -produtora de 85% dessa riqueza - de repensar o seu comportamento passivo em relação as atividades econômicas de base. Esses municípios precisam desenvolver um esforço mais efetivo em direção a geração de trabalho e renda, compatibilizando habilidades específicas locais com o conhecimento formal disponivel. A míope visão da solução regional impulsionada por grandes projetos exógenos e a expectativa da proteção política para a manutenção da receita de royalties, tem adormecido o poder público e inibido ações fundamentais de planejamento e constribuições no sentido de melhorar a capacidade do indivíduo (economicamente, culturalmente e socialmente), que não consegue romper o vício da depêndencia. A região se fragiliza institucionalmente, cada vez mais, por concentrar poder na esfera política e ignorar o fato de que vivemos na era do conhecimento e como tal, que o saber incorporado à força de trabalho representa o grande aparato tecnológico para o desenvolvimento sócioeconômico de cada espaço distrital. Acredito que ainda há tempo, é preciso entender tal necessidade.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Boletim de Conjuntura Econômica - CEPERJ

Fundação CEPERJ>>Boletim de Conjuntura Econômica Fluminense Ano II - número 9
Souza Filho, Armando

ECONOMIA FLUMINENSE EM SETEMBRO: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS DE CURTO PRAZO.

Os números de setembro indicam a continuidade do crescimento da atividade econômica estadual. Somente registraram decréscimo os indicadores da indústria geral e do emprego -número de admitidos - deste mês em relação a agosto. As demais comparações temporais – setembro 2010/setembro 2009 e acumulado janeiro-setembro 2010/janeiro-setembro 2009 – desses indicadores, assim como todas as comparações dos demais indicadores foram positivas. Cabe ainda lembrar que, no último trimestre, ocorre uma expansão da produção face à demanda de final de ano, o que deverá ser confirmado nos próximos indicadores.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Censo Populacional 2010, segundo o IBGE


O IBGE apresentou o resultado do censo populacional no país em 2010. A tabela ao lado mostra o número de habitantes nos municípios da Região Norte Fluminense. Campos dos Goytacazes tem a maior população com 463.545 habitantes em 2010, seguido por Macaé com 206.748 habitantes. Com a menor população aparece Cardoso Moreira com 12.540 habitantes.
O gráfico apresenta as taxas de crescimento populacional no período 2000/2010. Observa-se que Macaé cresceu 56,1%, a maior taxa da região, enquanto Carapebus cresceu 54% e Quissamã cresceu 48,%. A área de maior crescimento está no entorno da base petrolífera. São João da Barra apresentou uma taxa de crescimento de 18,4%, seguido por Campos com 13,9% e Conceição de Macabu com 12,9%. Os municípios com as menores taxas de crescimento populacional foram São Fidélis com 2,1% e São Francisco de Itabapoana com 0,5%. O único município a perder população foi Cardoso Moreira, com uma queda no número de habitantes de 0,4% no período.

O Estado do Rio de Janeiro apresentou uma taxa de crescimento populacional no período de 11,1% e o país teve a sua população aumentada em 12,3%.

Execução Orçamentária em São João da Barra no primeiro semestre de 2010



O primeiro semestre fiscal em São João da Barra apresentou uma execução orçamentária, cujos valores se encontram abaixo da média. Das Receitas Correntes previstas para 2010 em R$367,6 milhões, foram realizadas neste semestre somente 35,9%. Pior resultado foi apresentado pelas Receitas Tributárias, cuja execução ficou em 25,6% das receitas previstas no ano. Quanto as despesas, a execução das Despesas Correntes chegou 32,2% e os gastos com pessoal e encargos alcançaram 38,8% do valor previsto no ano.
O grupo das Despesas de Capital apresentou um resultado ainda pior. o Município só conseguiu alocar em investimento, o equivalente a 2,7% do valor previsto para o ano de 2010.
Nos seis primeiros meses do ano o município alocou R$36,5 milhões em pessoal e encargos, consumindo proporcionalmente 27,7% das Receitas Correntes realizadas. Entretanto, o valor alocado em investimentos chegou a R$2,9 milhões, representando proporcionalmente 2,3% das Receitas Correntes realizadas no mesmo período.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Movimentação da receita de royalties em novembro na Região Norte Fluminense



O mês de novembro desapontou o caixa das prefeituras da região, no que diz respeito as transferência de royalties. Todos os municípios produtores contabilizaram declínio nessa receita neste mês. Campos sofreu uma redução de 9,2% em relação a outubro, Carapebus perdeu 29,56%, Macaé 23,81%, Quissamã 6,30% e São João da Barra viu sua receita cair 8,12%.
Em relação ao valor absoluto acumulado, Campos já recebeu no periodo de janeiro a novembro R$444,0 milhões, fora as participações especiais, enquanto Macaé já recebeu R$328,3 milhões. Em terceiro lugar São João da Barra já recebeu neste mesmo período o valor de R$89,9 milhões.

Movimentação do emprego em outubro nos municípios da região com menos de 30 mil habitantes


A movimentação do emprego em outubro nos municípios com menos de 30 mil habitantes, na Região Norte Fluminense, manteve a trajetória de queda nos saldos líquidos. Mesmo considerando uma queda menor em Conceição de Macabu e São João da Barra, o primiero município apresentou um saldo negativo de 295 empregos destruidos no período de janeiro a outubro, enquanto São João da Barra apresentou um saldo positivo de 337 empregos gerados no mesmo período. Quissamã passou a liderar o conjunto desses municípios, com um saldo de 409 empregos gerados no período. Importante que este município superou São João da Barra na geração de empregos neste ano, apesar dos grandes investimentos no complexo portuário do Açu.


O gráfico ao lado apresenta a curva correspondente ao saldo de emprego mensal para o município de São João da Barra, com uma clara trajetória de queda. Nos meses de setembro e outubro o município destruiu 419 empregos, depois de experimentar uma forte queda no saldo no segundo semestre deste ano.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Entendendo o conceito de Distrito Industrial

A discussão do economista italiano Giacomo Becattini sobre a capacidade do Distrito Industrial (DI) gerar um ambiente propício a criatividade e a evolução da competitivamente, leva ao importante conceito de que um DI é uma "entidade sócio-territorial que é caracterizada por uma coexistência ativa entre uma comunidade aberta, onde há grande afluxo de bens e pessoas, e um conjunto segmentado de empresas". Segundo o economista, já que essas pessoas e empresas dividem o mesmo espaço geográfico, elas se interpenetram, isto é, atividades produtivas e a vida cotidiana se interceptam. O distrito se torna, assim, uma amálgama de competitividade, cooperação, costumes e instituições informais.
Quero chamar a atenção para o termo comunidade ativa. Está claro que um Distrito Industrial não se constrói a partir somente de recursos econômicos tangíveis. O processo de interpenetração espacial entre a sociedade e empresas é consequência de um estagio efetivo de amadurecimento da comunidade. Neste estagio, os atores tem conhecimento sobre as potenciais intervenções exógenas no território, o que facilita a construção demandas sociais importantes, de maneira que o bem comum (recursos naturais utlizados em projeto econômicos), possa reverter o produto da riqueza capitalista em favor da sociedade local.
Os investimentos no Porto do Açu apresentam semelhança com outros projetos ao longo da costa do Brasil, os quais buscam rendimentos crescentes a partir do uso de um bem comum que concentra riqueza. Os projeto não são ilegais, já que a legislação permite o uso desse espaço, na verdade o poder público local é que não consegue cumprir o seu papel de gerar políticas públicas em favor da população afetada. projetos dessa natureza possibilitam externalidades positivas e externalidades negativas, estas afetam a todos, porém aquelas só benefeciam os mais adaptados ao processo de transformação, o que leva a concentração econômica e exclusão social.

Retificação na Receita de ISS em São João da Barra no ano de 2009

Prezados, na postagem de 15 de outubro deste ano de título "Uma análise da trajetória e dos reflexos econômicos dos investimentos do Porto do Açu no município de São João da Barra", a afirmação segundo o parágrafo abaixo......

"Um outro indicador positivo em função dos investimentos é a arrecadação de Imposto sobre Serviço, o qual apresentou uma forte variação no período.
Em 2006 o valor da receita somou R$919.528,75 enquanto em 2009 o valor se elevou para R$1.831.935,00 correspondendo a um acréscimo de 99,22%.
É verdade também que o aumento de receita pública não representa, necessariamente, uma melhor dinâmica econômica local".
.........Quero informar que existe um erro na receita de impostos próprios em 2009, basicamente o ISS. Onde se lê R$1.831.935,00 na verdade o valor correto deve ser:
Segundo a Secretaria do Tesouro Nacioanal: R$10.377.567,20
Segundo o Tribunal de Contas do Estado: R$10.097.937,30
Pedimos desculpas aos nossos leitores com toda humildade.

sábado, 20 de novembro de 2010

A movimentação do emprego formal em outubro nos municípios com mais de 30 mil habitantes na Região Norte Fluminense

A movimentação do emprego formal nos municípios com mais de 30 mil habitantes, na Região Norte Fluminense, indica a geração de novas vagas no mês de outubro em Campos, Macaé e São Fidélis. São Francisco, destruiu 33 empregos no mês de análise. Olhando o saldo acumulado de janeiro a outubro, observa-se que Campos dos Goytacazes depois de ter alcançado um pico de 3.854 de novos empregos em maio, desacelerou em junho, julho, agosto e outubro, enquanto Macaé alcançou o pico em agosto com 1.830 novos empregos, desacelando em setembro e outubro. No município de Campos, os setores que mais contribuiram na geração de novos empregos foram na ordem: a construção civil com 2.760 novas vagas, serviços com 1.836 novas vagas, agropecuária com 1.712 novas vagas e a indústria de transformação com 1.140 novas vagas. Em Macaé, o setor de serviços gerou 5.680 novas vagas, a indústria de transformação gerou 798 novas vagas e o comércio 54o novas vagas. Em São Fidélis, predominou p comércio com 119 novas vagas e São Francisco de Itabapoana, a agropecuária liderou a geração de emprego com 387 novas vagas no ano.



A figura ao lado apresenta a trajetória dos saldos de emprego gerados no período de janeiro a outubro em Campos e Macaé neste ano.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Valores de ICMS transferidos em setembro para os municípios da Região Norte Fluminense



O valor de ICMS transferido em setembro para a Região Norte Fluminense, apresentou um crescimento nominal de 7,33% em relação a agosto. Macaé recebeu R$19,7 milhões, ou seja, 39,91% do valor transferido para a região, enquanto Campos recebeu R$15,8 milhões, representando 32,05% e Quissamã recebeu o terceiro maior valor, ou seja, R$5,1 milhões, equivante a 10,3% do total.
Proporcionalmente, a região ficou com 12,7% do total distribuido pelo Estado aos municípios.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Estado do Rio de Janeiro no resultado das Contas Nacionais

O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado do Rio de Janeiro alcançou 11,3% de participação no PIB do País em 2008. Um leve crescimento em relação a 2007, entretanto abaixo do período 1998 a 2002 e 2004 a 2006. Contrariamente, o Estado do Espírito Santo experimentou um crescimento em sua participação no PIB do país nos últimos cinco anos.
O Rio de Janeiro apresentou um variação real do PIB em 2008, comparativamente a 2007, de 4,1% e uma variação real anual do valor agregado bruto de 3,5%, sendo 1,45% na agropecuária, 2,7% na indústria e 3,9% nos serviços. O valor nominal do PIB do Estado alcançou em 2008 o montante de R$343,2 bilhões e um valor real, correspondente aos preços do ano passdo, de R$ 309 bilhões com um valor per capita da ordem de R$21.621,36.
Observando a variação real do PIB do Estado do Rio de Janeiro em 30,7% no período de 1995 a 2008, vimos que ficou abaixo da taxa de crescimento do Espito Santo em 82,2% e abaixo da taxa do Brasil em 47%, no mesmo período. O Estado do Espirito Santo vem apresentando taxas consistentes de crescimento do PIB real: no período de 1995 a 2002 a taxa foi de 30,4%; no período de 2002 a 2008 a taxa foi de 39,7% e no período de 1995 a 2008 a taxa foi de 82,2%.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Movimentação do comércio exterior no período janeiro/outubro de 2010 em Campos dos Goytacazes


A tabela ao lado atualiza a movimentação de comércio exterior do município de Campos dos Goytcazes nos dez meses de operação em 2010. Após um primeiro semestre deficitário, com os volumes de importação superando os volumes de exportação, o segundo semestre muda a trajetória e apresenta saldos superavitários, especialmente, outubro que alcançou o melhor resultado do ano, ou seja, um superavit de R$4,3 milhões. Do volume monetário exportado por Campos, no período janeiro a outubro, 56,14% foi concentrado em ácido lactico, 23,61% em acessórios para solda e 14,29% em graos de toda natureza.

O gráfico apresenta a trajetória temporal da exportação, importação e saldo para o período analisado.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Movimentação bancária em agosto na Região Norte Fluminense

A movimentação bancária em agosto é apresentada na tabela ao lado, indicando os saldos em operações de crédito, depósito a vista de governo, depósito a vista do setor privado e depósito a prazo. O município de Macaé, apesar de contabilizar o maior saldo de depósito a vista do setor privado (R$278,6 milhões), teve o segundo saldo em depósito a prazo (R$309,7 milhões) e o segundo saldo em operações de crédito (R$760,8 milhões). O município de Campos dos Goytacazes apresenta uma maior regularidade nos índices de preferência pela liquidez do público e dos bancos. Tal fato materializa melhor grau de confiança no sistema econômico interno.



O gráfico ao lado apresenta os diversos índices de preferência pela liquidez do público e dos bancos. Alguns municípios como Cardoso Moreira, Carapebus, São Francisco do Itabapoana apresentam índices de preferência pela liquidez do público muito altos, o que indica baixa confiança no sistema financeiro. Por outro lado a preferência pela liquidez dos bancos nos municípios de Cardoso Moreira, Conceição de Macabu, Quissamã, São Fidélis apresenta um grau baixo, indicando alta confiança dos bancos nos sistemas econômicos desses municípios. Chama atenção o volume de depósito a prazo em São João da Barra, ficando abaixo somente de Campos e Macaé. Entretanto, o saldo das operações de crédito não é compatível, mostrando uma alta confiança do público em relação aos bancos e um grau de confiança média dos bancos em relação ao sistema econômico local.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Exportação de Minério de Ferro Brasileiro no período janeiro outubro de 2010

A economia chinesa continua voraz no sentido do consumo de commodities, especialmente, brasileiras. A trajetória da exportação de minério de ferro em 2010 confirma o apetite do dragão. A tabela apresenta os valores de exportação em tonelada, receita em dólar e preços negociados. Em outubro, o crescimento no volume exportado foi de 10,4% em relação a setembro, enquanto o faturamento em dólar cresceu 3,8%. Foi observado, entretanto, uma queda no preço de 5,9% em outubro, comparativamente a setembro, depois de uma trajetória crescente desse indicador de janeiro a setembro deste ano.


O gráfico apresenta a escalada dos preços praticados desde janeiro. Na verdade, o crescimento persistente do preço do minério, se deu em função da mudança realizada nos contratos que passaram a incorporar reajustes trimestrais, mesmo com toda pressão dos compradores. Parece que essa pressão começou a surtir efeito, já que o preço de outubro inverteu a tendência anterior. Recentemente, a China prometeu investir na produção dos seus principais insumos minerais, no sentido de diminuir a dependência de suas industrias. Isso não bom para o futuro da Região Norte Fluminense.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Comércio exterior de açúcar em bruto brasileiro


O preço do açucar no comércio internacional apresentou crescimento no primeiro trimestre deste ano e um queda no semestre seguinte. Nos últimos dois meses, voltou a apresentar crescimento, alcançando um valor de US$434,7 por tonelada em outubro, ou seja, crescimento de 3,6% em relação a setembro. Entretanto, foi observada uma queda de 5,6% no volume exportado em toneladas em outubro e uma queda de 2,3% no volume em dólares.



O gráfico ao lado, apresenta a trajetória dos preços contratuais ao longo do ano. Nele pode ser observado a busca de recuperação dos preços em setembro e outubro, depois da trajetória de queda no período de abril a agosto deste ano.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A distância entre o BNDES e a pequena empresa

Matéria do Jornal Estado de São Paulo: "O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta terça-feira, 9, que os desembolsos da instituição somaram R$ 146 bilhões nos 12 meses encerrados em outubro. O desempenho é 9% superior ao do mesmo período do ano anterior".

Interessante que o aspecto quantitativo é sempre evidenciado em temas econômicos. A exigência quanto ao cumprimento de metas parece ser a estratégia fundamental. No caso específico dos empréstimos do BNDES, o importante é saber qual o percentual de atendimento a pequenas empresas, já que esse grupo é responsável por um percentual representativo de emprego no país. Sabemos que os Bancos públicos, especialmente, tem um papel social e deveriam incentivar a captação desses recuros, entretanto isso não ocorre. Existem problemas relacionados a ausência de informação, orientação, fiscalização e na questão institucional. Neste caso, esses bancos insistem em incentivar a captação de recursos próprios de curto prazo e com custos muito elevados, dificultando a vida das pequenas empresas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A política de recursos naturais da China e seus reflexos

Matéria publicada no Jornal Estado de São Paulo, com base nas informações da Dow Jones.
"A China gastará 30 bilhões de yuans (US$ 4,5 bilhões) nos próximos cinco anos para explorar seus depósitos minerais domésticos a fim de reduzir sua dependência de minérios importados, afirmou a agência de notícias Xinhua, citando o vice-ministro de Terra e Recursos Naturais chinês, Wang Min. O país conduzirá um projeto de exploração em 21 províncias, disse Min, segundo a agência. Nos próximos cinco anos, a China deverá importar menos que 75% de seu consumo total de cobre, menos que 50% de seu consumo total de minério de ferro e menos de 60% do consumo de silvita, afirmou Chen Renyi, da China Geological Survey, de acordo com a Xinhua".

Esta não é uma boa notícia para o complexo portuário do Açu que deve entrar em operação em 2012. Mesmo sendo um terminal portuário de uso misto, o minério é essencial para atrair investimentos e interesse de capitais externos para o negócio.

sábado, 6 de novembro de 2010

CÂMBIO E COMPETITIVIDADE

A expansão monetária de US$600 bilhões na economia americana dá o tom de uma guerra cambial envolvendo, especialmente a deficitária economia dos Estados Unidos e a superavitária economia da China. O Brasil com o seu câmbio flutuante vai receber os reflexos dessa avalanche de dólares que provocará a valorização do real frente ao dólar e, consequentemente, dificuldades competitivas aos produtores brasileiros. Realmente, a saida não está na mudança de orientação cambial e sim, no aprofundamento de estratégias em direção a melhoria da gestão dos negócios, tanto nos processos operacionais quanto nos processos gerenciais. Como ação complementar o governo precisa desonerar o setor produtivo em consequência da melhoria do processo de gestão pública, fator economizador de recursos escassos e que, conclusivamente, define que a base dessa discussão está, fundamentalmente, na ineficiência do setor público.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Execução Orçamentária em Carapebus no período de janeiro a agosto de 2010

Os presentes valores representam a execução orçamentária de Carapebus, no período de janeiro a agosto de 2010. Das Receitas Orçamentárias previstas em R$54,2 milhões, foram realizados R$40,6 milhões, valor equivalente a 74,9%. As receitas próprias apresentam um perfil extremamente frágil, representando somente 0,9% das Receitas Correntes realizadas. Consequentemente, a dependência aos recursos oriundos das Transferências Constitucionais é total. Este valor alcançou R$39,5 milhões em agosto, correspondendo a 97,2% das Receitas Correntes realizadas.
Outro indicador preocupante é despesa com pessoal, com previsão de R$26,3 milhões e liquidação de R$22,3 milhões, ou seja, 84,6% no período.
Os gastos com investimento por sua vez são infimos. O município apresenta uma grande dificuldade no processo de inversão. Neste período, foram gastos neste rublíca R$412,o milhões, equivalentes a 1% das Receitas Correntes.

Execução Orçamentária em Macaé no período de janeiro a agosto de 2010

A tabela ao lado apresenta os valores representativos da execução orçamentária de Macaé, no período de janeiro a agosto deste ano. Das receitas orçamentárias previstas, foram realizadas 75,76% até agosto, enquanto das despesas de investimento previstas, somente 57,55% foram liquidadas. As despesas com pessoal e seus encargos somaram R$293,9 milhões no mesmo período, equivalentes a 33,39% das Receitas Correntes realizadas. Os gastos com investimentos somaram R$86,2 milhões, ou seja, 9,79% das Receitas Correntes. As receitas próprias compostas, especialmente de Imposto Sobre Serviços, alcançaram 25% das Receitas Correntes, enquanto as Transferências Constitucionais representaram 64,66% das Receitas Correntes.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Economia Norte Fluminense e TOP BLOG 2010

Prezados, o nosso blog é finalista do concurso top blog 2010. Como o prazo está se encerrando, vai lá o convite para um reforço. Quem achar interessante votar é só clicar na figura acima. Abraços, Alcimar Chagas

A presidente Dilma e o reconhecimento da importância do conhecimento técnico no novo governo

As primeiras entrevistas da nova presidente eleita deixam indicações importantes, as quais devem ser seguidas por todo país, especialmente, pela Região Norte Fluminense, espaço socio-institucional fortemente carente dessa especificidade. Aliás, ao final da minha palestra na Camara Municipal de São João da Barra, na semana passada, fui convidado a indicar alternativas para os problemas municipais e respondi que não existem fórmulas prontas, entretanto, o reconhecimento da importância do conhecimento na solução dos problemas é essencial. Nenhuma atividade pode ser conduzida com exito, sem o devido conhecimento técnico. Aliás vivemos na era do conhecimento.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Novo ciclo econômico em São João da Barra foi debatido ontem na Camara Municipal

Posteriormente a reunião ordinária na Camara Municipal em São João da Barra, nesta quinta feira, apresentei uma discussão sobre o novo momento de fortes mudanças que afeta o município, em função dos investimentos do Complexo Portuário do Açu. Pude observar a grande preocupação dos produtores rurais do quinto distrito em relação ao futuro da atividade agropecuária e, até mesmo, em relação a manutenção do supremo direito de propriedade.
Realmente é lamentável a condução desse processo, porém é preciso reavaliar o comportamento do cidadão que compõe esta sociedade. Claramente, pode ser observada a dificuldade de participação do cidadão que, culturalmente apresenta um perfil individualista. Por outro lado, as instituições representativas desses atores são frágeis e não conseguem proteger os seus assistidos.
Neste caso, somente o poder público constituído apresenta algum tipo de organização, ficando a sociedade civil totalmente desestruturada. Observo que este quadro facilita a deterioração democratica e não inibe as praticas privadas que são perversas aos menos favorecidos, fato que acelera a concentração de riqueza e aprofundanda a pobreza e a exclusão social.
Insisto que os produtores rurais precisam buscar algum tipo de organização onde as ações possam ser construídas coletivamente e induzidas por uma massa critica representativa. O problema rural não se concentra em meia dúzia de produtores, ele afeta a todos os produtores e, consequentemente, a toda sociedade. Uma sociedade que não apresenta uma certa organização não governamental, não é solidária à questões dessa natureza e só consegue raciocinar em função do interesse individual, possivelmente não apresenta condições essenciais para se inserir em um processo de transformação com as caracteristicas da atual.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Valores de Royalties de Petróleo creditados em outubro aos municípios da Região Norte Fluminense

A tabela ao lado apresenta os valores de royalties creditados aos municípos da Região Norte Fluminense em outubro deste ano. Campos dos Goytacazes e Macaé ficaram com um volume representativo, seguidos por São João da Barra e Quissamã. Nos primeiros dez meses deste ano, Campos acumulou o equivalente a R$408,4 milhões, enquanto Macaé acumulou o equivalente a R$302,5 milhões. O município de São João da Barra acumulou R$8,9 milhões e Quissamã acumulou R$6,0 milhões.

O gráfico ao lado apresenta as taxas de variação dos valores creditados aos municípios produtores de petróleo em outubro, tendo como base o mês de setembro. Carapebus apresentou o maior crescimento proporcional, ou seja, 32,6% ficando Macaé com a segunda taxa de crescimento, ou seja, 17,2%. A seguir aparecem Quissamã com um crescimento de 7,9% e São João da Barra com um crescimento de 5,4% no mês.


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Movimentação do emprego em setembro nos municípios com menos de 30 mil habitantes na RNF


A movimentação do emprego em setembro mostrou um forte processo de demissão na região, puxado por São João da Barra, que contabilizaou um saldo negativo de 248 vagas destruídas no mês. Conceição de Macabu aparece como o segundo município que mais destruiu vagas de trabalho. As principais ocupações responsáveis pelas demissões são da atividade de construção civil, tais como: servente de obras, motorista de caminhão e montador de estruturas metálicas, fato que comprova a sua natureza cíclica. A sustentabilidade, em termos de emprego, depende da solidificação das atividades de base que devem ser organizada em cadeias produtivas e na busca permanente de inovações.


O gráfico ao lado apresenta a trajetória evolutiva do emprego em São João da Barra neste ano. Muito similar ao ano passado, o segundo semestre apresenta uma desaceleração das contratações e uma aceleração dos desligamentos, fazendo declinar o saldo a cada mês, chegando a setembro com um forte saldo negativo de 248 vagas destruidas.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Palestra "O Complexo Portuário do Açu e um novo ciclo de crescimento: perspectiva histórica

Na próxima quinta feira, dia 28 de outubro, as 18:00 horas, na Camara Municipal de São João da Barra, teremos a oportunidade de discutir aspectos importantes sobre o Complexo Portuario do Açu. A idéia é discorrer sobre a trajetória e os reflexos socioeconômico dos investimentos realizados no super porto do Açu nos últimos três anos. Como palestrante da noite, quero convidar a todos a participarem desse encontro e debaterem sobre tema tão relevante que muda, substancialmente, as condições atuais, gerando oportunidades e ameças para o município e região.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Movimentação do trabalho nos municípios com mais de 30 mil habitantes na Região Norte Fluminense


A tabela apresenta a movimentação do emprego em setembro nos municípios da Região Norte Fluminense. O maior número de empregos com carteira assinada no período de janeiro a setembro ocorreu em Campos dos Goytacazes. Foram 7.699 novas vagas criadas, contra 5.755 em Macaé.
Em Campos, as ocupações que mais contribuiram na composição do saldo foram: construção civil (2.576 vagas); agropecuária (1.748 vagas); serviços (1.689 vagas) e indústria de transformação (1.414 vagas).
Em Macaé, as ocupações responsáveis foram as seguintes: serviços (5.360 vagas); indústria de transformação (578 vagas).
Em São Fidélis: comércio (114 vagas); indústria de transformação (27 vagas).
Em São Francisco de Itabapoana: agropecuária (436 vagas); serviços (24 vagas); comércio (19 vagas).

O gráfico mostra uma boa recuperação de Campos dos Goytacazes em setembro, depois de experimentar uma trajetória de declínio no saldo de emprego no meses de junho, julho e agosto. Macaé, inversamente depois de um período de crescimento no saldo de trabalho, desacelerou em setembro.

SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA EM CABO FRIO

Cabo Frio realiza a terceira edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, oficialmente aberta ontem, dia 18 de outubro, no auditório da Universidade Estácio de Sá. Participaram da abertura a professora Romilda Suinka diretora do IFF de Cabo Frio, professora Eliane de Freitas, representante da Secretaria Municipal de Educação de Casimiro de Abreu e professor Paulo Cotias, Coordenador de Ciência e Tecnologias do Municipio de Cabos Frio. Durante o evento o professor Alcimar das Chagas Ribeiro da UENF apresentou a palestra "O novo ciclo de crescimento na Região Norte Fluminense: perspectiva histórica" e lançou o livro A Economia Norte Fluminense: análise da conjuntura e perspectivas. O evento também contou a brilhante palestra da professora Roberta Ramalho do IFF sobre o tema "Meio Ambiente e Sustentabilidade".

domingo, 17 de outubro de 2010

Execução Orçamentária no município de Conceição de Macabu no período de janeiro a agosto de 2010

A tabela apresenta a execução orçamentária do município de Conceição de Macabu para o período de janeiro a agosto de 2010. As receitas correntes realizadas até agosto somaram R$26,1 milhões para uma previsão anual de R$41,0 milhões. As receitas, próprias realizadas no período, representaram 3,78% das receitas correntes, indicando uma forte dependência às transferências constitucionais, cujo valor previsto para 2010 é de R$32,5 milhões.
No grupo das despesas, a previsão para as correntes é de R$37,0 milhões com realização de R$22,1 milhões até agosto. As de capital previstas somaram R$8,2 milhões com realização de R$1,8 milhão até agosto. A despesa com pessoal e encargos somou R$13,3 milhões no período, ou seja, 50,86% das receitas correntes, enquanto a despesa de investimento somou R$1,5 no mesmo período, representando 5,75% das receitas correntes.
Conforme pode ser verificado, a mesma realidade da região se repete neste município, ou seja, uma grande dependência às transferências correntes, forte comprometimento das receitas com custeio e baixo nível de investimento, o que pode comprometer o processo de reprodução econômica.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Uma análise da trajetória e dos reflexos econômicos dos investimentos do Porto do Açu no município de São João da Barra

Comemorando dez anos de sua concepção e três anos de execução, o complexo portuário do Açu, localizado no Estado do Rio de Janeiro, no município de São João da Barra, foi motivado na necessidade de projetos estruturantes capazes de minimizar os reflexos da dependência regional à indústria petrolífera, face os riscos de longo prazo, em função da natureza finita desta atividade econômica.

A frente da Secretaria Estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio de Janeiro em 1999, o então secretário Wagner Victer foi o responsável pelas ações que gerariam a concepção inicial de um novo Terminal Portuário e de Apoio Offshore para a Petrobras. A iniciativa se justificava pela importância da bacia de Campos, responsável naquele momento, por 82% do petróleo produzido no Brasil e, sobretudo, pela necessidade da Petrobras por uma melhor estrutura de apoio Offshore, já que o porto de Macaé apresentava condições de saturação. Num estagio seguinte, o projeto foi ampliado, visando à movimentação de graneis líquidos e sólidos.

Nessa configuração, os potenciais investidores seriam o Governo do Estado, um grupo de empresas privadas e a Petrobras, que dividiriam um capital de US$100 milhões. Este projeto foi apresentado em 2000 à sociedade sanjoanense, onde o mesmo secretário mostrou a sua viabilidade técnica no litoral do município, em função dos estudos de batimetria realizados no litoral da Região Norte Fluminense.

Posteriormente, com a desistência da Petrobrás, o projeto foi redirecionado para a movimentação de granéis sólidos, especialmente minério de ferro, cuja atividade estava concentrada na Vale do Rio Doce, que também não demonstrou interesse pelo projeto.

Sem os principais investidores, o mesmo projeto foi apresentado ao empreendedor Eike Batista que enxergou uma grande oportunidade para novos investimentos no setor, desenvolvendo, posteriormente, estudos mais aprofundados sobre a viabilidade operacional do transporte do minério da mina para o porto e, paralelamente, adquirindo as terras onde hoje se desenvolvem as obras do complexo portuário do Açu. Assim, a pedra fundamental foi instalada em 27 de dezembro de 2006 e as obras iniciadas no final de 2007, com um investimento previsto da ordem de US$1,6 bilhão.

Com quase três anos de obras e com investimento em torno de R$1,5 bilhão executado, os reflexos econômicos em São João da Barra estão muito aquém das expectativas. O fato de a aglomeração ter se concentrado em um espaço rural fora da sede do município, inibiu a possibilidade de uma melhor dinâmica do comércio local. Observa-se certa movimentação de trabalhadores do complexo portuário na cidade de Campos dos Goytacazes, já que a mesma cidade oferece uma boa estrutura de serviços de toda natureza, portanto mais atraente do que São João da Barra, com a vantagem da distancia de locomoção ser praticamente a mesma.

Entretanto, o indicador de emprego formal tem favorecido São João da Barra. Em 2006 existiam 3.994 pessoas trabalhando com carteira assinada no município, segundo o Ministério do Trabalho. Em primeiro de janeiro de 2010 este número passou para 6.383 trabalhadores, ou seja, um crescimento de 59,81% no período. Entretanto, há de se considerar que dos 2.500 funcionários lotados no porto, aproximadamente, 60% vem de outras regiões, fato que leva os mesmos a transferirem parte de suas rendas para a suas cidades de origem. É ainda importante verificar que o salário médio dos trabalhadores da cidade envolvidos nas obras é baixo, enquanto que os trabalhadores com salários mais altos têm outra origem e buscam mercados mais sofisticados para o seu consumo.

Um outro indicador positivo em função dos investimentos é a arrecadação de Imposto sobre Serviço, o qual apresentou uma forte variação no período. Em 2006 o valor da receita somou R$919.528,75 enquanto em 2009 o valor se elevou para R$1.831.935,00 correspondendo a um acréscimo de 99,22%. É verdade também que o aumento de receita pública não representa, necessariamente, uma melhor dinâmica econômica local.

Finalmente, a transferência de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) representa, fundamentalmente, a dinâmica econômica local, já que o Estado distribui o valor correspondente usando, em maior representatividade, o critério de valor adicionado em cada município. Neste caso, quanto mais dinâmica a economia do município, maior a parcela de ICMS depositada pelo Estado. Numa avaliação temporal, pode-se observar que o município recebeu R$13,1 milhões em 2004 e R$16,4 em 2009, indicando um crescimento nominal de 25,19% no período. Considerando a inflação medida pelo IGP-M de 37,41% nesse mesmo período, pode-se afirmar que o crescimento real foi negativo em 8,89%. Na verdade, não podemos considerar nenhum avanço na atividade econômica interna, considerando esse importante indicador.

Essas avaliações comprovam que a consistente movimentação financeira executada em torno das obras de infra-estrutura para funcionamento do complexo portuário não refletiu no sistema econômico local na dimensão divulgada e esperada pela sociedade. Conforme já havíamos levantado à questão, projetos dessa natureza provocam externalidades positivas e negativas, sendo que as negativas afetam toda a sociedade local, entretanto as positivas beneficiam os mais bem adaptados. Existe, efetivamente, uma seleção natural, onde sobrevivem os mais aptos.