sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Relato de Visita a Câmara de Vereadores em São João da Barra

Os meios de comunicação de Campos dos Goytacazes divulgaram nesta última quinta feira a visita do secretário Estadual de Desenvolvimento Econômico a São João da Barra, para tratar a questão da desapropriação no Açu. Este fato motivou a minha ida a câmara de vereadores, local do evento, para expressar a minha contribuição ao processo. Infelizmente, o secretário não veio e quatro dos nove vereadores não estavam presentes, o que levou a suspensão da sessão por falta de quorum. No entanto, pode-se observar a presença de um bom número de produtores rurais que estavam ali para discutir o assunto de seu interesse. Neste caso, aproveitei para solicitar espaço para a minha intervenção, o que foi prontamente aceito pelo presidente da casa.

Antes, porém, o secretário municipal de planejamento explanou sobre mudanças no processo de desapropriação. Segundo o secretário, os produtores poderão negociar individualmente as suas propriedades com a empresa interessada, num contexto de total autonomia onde decidirá se aceita vender ou não as suas terras.

A seguir, passei a explanar os fundamentos de minha contribuição. Primeiro informei sobre a origem do termo Distrito Industrial, que foi cunhado em 1890 na Inglaterra por Alfred Marshall, em função de suas observações empíricas sobre um formato de organização produtiva de pequenas firmas que se aglomeravam para melhorar a sua condição competitiva. Posteriormente, essa terminologia foi amplamente difundida a partir da década de setenta do século passado na Itália, onde inúmeras pequenas empresas passaram a se aglutinar em espaços territorialmente identificados, com vista ao mesmo objetivo, ou seja, busca de maior competitividade. A idéia consistia na redução dos custos contratuais e viabilidade de escala de produção. Elementos como cooperação e reciprocidade estavam intrinsecamente relacionados ao sucesso desses novos arranjos.

Diante dessa introdução passei a caracterizar a agricultura do município, a partir de sua forte dependência à cultura da cana-de-açúcar de baixo valor agregado e, naturalmente, a fragilidade das outras culturas, o que indica que os produtores individualmente não conseguem ser competitivo, já que o processo produtivo ocorre em pequenas propriedades, com baixo volume de produção e qualidade inferior.

Desta forma, pude pontuar que a visão sobre a desapropriação para fins industriais é equivocada e inconsistente, já que as grandes empresas não precisam das terras dos produtores e a atividade agrícola precisa ser mantida e apoiada, já que além de abrigar uma grande população o município precisa romper com a dependência de importação de alimentos. Essa prática alimenta a geração de trabalho fora e empobrece a população rural local.

Nesse caso é importante a idéia do Distrito Industrial, mas com característica de agronegócio. Ou seja, é preciso planejar um novo formato de organização produtiva para a atividade agrícola, considerando a formação de redes onde possam estar integrados elos como o governo municipal que, dentre outras atividades, se caracteriza como um grande consumidor de alimentos; Universidade e centros de pesquisa para dotar a atividade de inovações e entidades de apoio como sindicatos, associações e empresas privadas como a MMX que, como interessada no desenvolvimento local, pode-se constituir em importante parceira na montagem desse distrito industrial que garantirá a transformação de uma agricultura de subsistência em um conjunto de atividades de natureza agrícola; industrial e de serviços. Essa estratégia pode potencializar a riqueza local e possibilitar uma convivência equilibrada entre as atividades econômicas rurais e as modernas atividades industrias que estão chegando.

Concluindo a minha participação, coloquei-me a disposição do presidente da câmara para construir um projeto de arranjo produtivo para o agronegócio em SJB sem nenhum custo financeiro já que, além de sanjoanense, pesquiso sobre o assunto e poderia envolver a UENF no processo. Ainda informei aos participantes que nos últimos cinco anos trabalhamos esses conceitos no projeto de piscicultura integrada, o qual apresenta algumas dificuldades, exatamente, por não contar com apoio do poder público. Foi ratificado que projetos que dependem de ações coletivas precisam do poder público, diferente da iniciativa privada que busca lucro empresarial.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A Atividade Agrícola no Município de Quissamã

A tabela ao lado apresenta os dados da atividade agrícola em Quissamã, desenvolvida nas culturas temporária e permanente no período de 2005 a 2008. Observa-se a manutenção da área colhida no período com crescimento no valor da produção. Em 2006/2005 observou-se um crescimento de 91,3%, em 2007/2006 foi observado uma queda de 36,7% e em 2008/2007 o valor da produção voltou a crescer 25,1%. A variação do valor da produção em 2008 foi de 51,5% em relação a 2005. A área colhida de cana-de-açúcar foi equivalente a 97%, ratificando a condição de dependência da atividade agrícola regional a essa cultura.

A área de lavoura permanente no município representou em torno de 7% da área total no período, enquanto o valor da produção da lavoura permanente representou 21% do valor da produção total em 2005, caindo para 14% em 2006, aumentando para 17% em 2007 e retraindo para 13% em 2008. A cultura mais expressiva nesta modalidade é o plantio do coco que apesar de manter a área colhida perdeu valor em 2007 e 2008. O valor da produção do cultivo de coco em 2008 foi menor 17% do que em 2005.

Os gráficos a seguir apresentam a trajetória dos indicadores de área colhida e valor da produção da atividade agrícola total no período de 2005 a 2008.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A atividade agrícola no município de São Francisco de Itabapoana

A agricultura de lavoura temporária no município de São Francisco de Itabapoana apresenta uma participação importante na Região Norte Fluminense. Ocupa o segundo lugar em área colhida com 20,37% da área total, sendo superado somente por Campos dos Goytacazes. Entretanto, observou-se uma trajetória de queda no período de 2005 a 2008. Em 2006 a área colhida encolheu 10,5% em relação a 2005, declínio que se manteve em 2007 em relação a 2006 em 9,0%. Em 2008 pode-se observar uma leve recuperação de 2,6%, porém a área cultivada neste ano ficou 16,5% em relação a 2005. Assim como Campos, São João da Barra e Quissamã, a cultura de cana-de-açúcar é a base da agricultura local. Em 2005 a cana ocupava 78,8% da área colhida, aumentando sua participação para 83% em 2008, apesar da retração em valor absoluto. Em 2005 a área colhida de cana foi de 25.005 hectares e em 2008 a área colhida foi de 22.000 hectares.

O valor da produção, depois de crescer 5,2% em 2006 com base em 2005, caiu fortemente em 2007 e 2008. O marco da retração foi o ano de 2007, em função das dificuldades com a cultura da cana-de-açúcar. Neste ano o valor da atividade retraiu 42% em relação a 2006.
A atividade de lavoura permanente é pouca expressiva. Em 2008, a área colhida corresondeu a 2% da área colhida na lavoura temporária e o valor da produção permanente representou 10% no mesmo ano.

Os gráficos a seguir apresentam a trajetória de área colhida total (temporária e permanente) e valor da produção para o período de 2005 a 2008.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Compensação de Royalties em Outubro nos municípios da Região Norte Fluminense

As compensações financeiras de royalties em outubro, nos municipios da Região Norte Fluminense, superaram os valores de setembro. A figura ao lado apresenta os valores depositados em 21 de outubro, competência de agosto, e os valores acumulados de janeiro a outubro. Campos dos Goytacazes com um recebimento de R$47,8 milhões no mês já acumula R$339,6 milhões de arrecadação royalties neste ano, sem contar com as participações especiais. O município de Macaé ocupa o segundo lugar em arecadação na região. Neste mês o valor arrecadado chegou a R$31,7 milhões e um acumulado no ano de R$237,8 milhões. Os municípios de Quissamã, São João da Barra e Carapebus complementam a lista dos municípios produtores que mais receberam compensação de royalties.


O gráfico ao lado apresenta os percentuais de crescimento da arrecadação no mês para os municípios produtores da região. O município de Quissamã obteve a maior taxa de crescimento no mês, evoluiu 47,75% em relação ao mês de setembro. O município de Campos obteve a segunda maior taxa de crescimento com 21,65% em relação ao mês anterior, seguindo Macaé com 13,12% e Carapebus com um crescimento de 12,66%. O município de São João da Barra obteve a menor taxa de crescimento, evolução de 7,92% em relação a setembro.



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

UENF, IFF e UFF realizam mostra de extensão na semana de Ciência e Tecnologia



Foi encerrada na sexta dia 23 de outubro a VI Semana Nacional de Ciência e Tecnologia realizada no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminese Darcy Ribeiro. Durante o evento, a UENF, IFF e UFF apresentaram a I Mostra de Extensão, atraindo um número representativo de estudantes das Escolas Públicas de Campos e cidades vizinhas.
O Laboratório de Engenharia de Produção da UENF participou ativamente do evento com apresentação de pôster, palestras e exposição de projetos.
Nas imagens acima, os pôsteres do Projeto de Piscicultura Integrada, coordenado pelo professor Alcimar Chagas e do projeto de Inovação Tecnológica coordenado pelo professor Manoel Molina. A professora Gudélia Arica também participou como o projeto de Logística Reversa aplicada a recliclagem de lixo.

Abaixo a exposição do Projeto Capacitar para Transformar Sistemas de Produção Locais e a experiência do projeto de piscicultura integrada em atividade desde 2004 no Balneário em Atafona São João da Barra.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Movimentação do emprego nos municípios com menos de 30 mil hab na Região Norte Fluminense

A movimentação do emprego nos municípios com menos de 30 mil habitantes, na Região Norte Fluminense, manteve a mesma tendência do mês passado, mostrando a dificuldade de Quissamã superar o problema de destruição de vagas de emprego, já que o processo de desligamento tem superado o processo de admissão. Em setembro o resultado negativo acumulado atingiu 37 vagas de emprego destruidas.
Uma outra situação que merece ser acentuada é a trajetória de saldos negativos em São João da Barra, a partir de junho deste ano. O gráfico a seguir apresenta os saldos de emprego (admissão menos desligamento) para o município no período de janeiro a setembro. No acumulado em 2009, o municipío apresenta um saldo positivo de 410 empregos criados, apesar dos resultados negativos a partir de junho.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um retrato da atividade agrícola do município de São João da Barra

A atividade agrícola em São João da Barra apresentou uma queda de 23,28% da área colhida em hectare no ano de 2008, comparativamente, a 2005. Contrariamente o valor da produção no mesmo período cresceu 23,38%. A cultura da cana-de-açúcar representou na média 93% do total da atividade sendo responsável, juntamente com o cultivo do abacaxi, pelo crescimento do valor da produção que se beneficiou da recuperação dos preços praticados. Em 2007 o valor da produção da cana de açúcar representou 55,62% e o valor da produção do abacaxi representou 40,23% do valor total da produção. Em 2008, a cana de açúcar representou 57,26% e a abacaxi 38,12% do valor total da produção temporária. Este quadro mostra a fragilidade das outras culturas (batata doce, mandioca, melão, tomate feijão, melancia e milho).

A lavoura permanente é pouco representativa em termo de área colhida. São cultivados em torno de 160 hectares de terra com as culturas de goiaba, coco-da-baia, laranja, banana e maracujá. Foi observado um forte crescimento do valor da produção em 2007 e 2008, especialmente por conta do aumento da área cultivada e melhor comercialização da goiaba e do coco. Houve um crescimento da área colhida de goiaba de 40% em 2006 sobre 2005, de 43% em 2007 sobre 2006, e sua manutenção em 2008. O valor da produção cresceu 118,87% em 2006 frente a 2005, crescimento de 169,23% em 2007 frente a 2006, mantendo o mesmo patamar em 2008. Já a área colhida de coco cresceu 60% em 2007 frente a 2006 e se manteve em 2008. O valor da produção cresceu 326% em 2007 frente a 2006 e se manteve em 2008.

No contexto da lavoura total (temporária e permanente), os resultados são demonstrados nos gráficos abaixo, onde fica acentuada a importância das culturas de cana-de-açúcar e abacaxi na trajetória de crescimento do valor da produção, especialmente nos anos de 2007 e 2008. O valor da cultura da goiaba equivale a aproximadamente 35% da cultura do abacaxi e o coco aproximadamente 20%.


A tendência declinante da área colhida é um indicador importante que deve servir de alerta aos formuladores de políticas púbica para agricultura. O crescimento do valor da produção num cenário de queda de área colhida mostra uma certa valorização monetária e em termos de produtividade das principais culturas (cana, abacaxi, goiaba e coco).



Nesse caso, pensar programas estratégicos para o setor nesse momento em que se discute o orçamento para 2010 e para os anos seguintes, é essencial. As organizações de apoio a atividade, tais como: sindicato rural, associação de comércio e comissão municipal da agricultura devem discutir e cobrar ações mais estruturadas para melhorar a vida no campo e apagar o medo do crescimento industrial naquela região, em função do complexo portuário do Açu.

domingo, 18 de outubro de 2009

A Atividade Agrícola na Região Norte Fluminense















Segundo o IBGE, o valor da produção agrícola no Brasil cresceu 27,3% em 2008, comparativamente, a 2007. Esse resultado foi puxado pelo aumento dos preços do milho, feijão, arroz, cana-de-açúcar, café e trigo.

Na contramão desse processo está a Região Norte Fluminense. A figura acima apresenta os resultados de área colhida e valor da produção para o período de 2005 a 2008. No período completo observa-se uma queda acentuada de 21,04%. Em 2006 a área colhida encolheu 10,44% em relação a 2005, em 2007 menos 15,26% em relação a 2006 e em 2008 aumento de 4,05% em relação a 2007.

O valor da produção apresenta uma trajetória também nada animadora. No periodo 2008/2005, verifica-se uma queda de 32,24%. Em 2006 leve aumento de 4,49% em relação a 2005, em 2007 queda de 19,64% em relação a 2006 e em 2008 queda de 19,3% em relaçao a 2007.


O gráfico ao lado apresenta a participação percentual de área colhida por município na região em 2008. Verifica-se que Campos dos Goytacazes apresenta uma participação de 57,13%, seguido por São Francisco de Itabapoana com 20,37% e Quissamã com 11,18%.

A realidade agrícola da região mostra o quanto é estratégico apoiar a atividade de maneira a dinamizar a produção de alimentos a geração de trabalho e renda.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Análise da trajetória do emprego em Campos dos Goytacazes e Macaé

Os municípios de Campos e Macaé, na Região Norte Fluminense, apresentam as estruturas econômicas mais representativas em relação a geração de emprego. Desta forma, Macaé tem se constituido no motor do trabalho, em função da dinâmica do setor de petróleo e gas. Desde 2006, os saldos líquidos de emprego (admissões menos desligamentos) têm sido bastante significativos. Neste mesmo ano foram gerados 7.786 empregos, em 2007 foram gerados 6.796 empregos e em 2008 foram gerados 10.013 empregos. Entranto em 2009 o município não conseguiu manter a mesma estabilidade dos anos anteriores. Ao longo dos nove meses (janeiro a setembro), o processo de demissões foi bem acelerado em função da crise financeira internacional que se abateu sobre as empresas estrangeiras que operam no setor, que por sua vez, reduziram investimentos e folhas de pagamentos. Outros dois aspectos importantes que devem ser considerados, são: o encerramento natural de contratos que ocorre periodicamente e o grau de exigência aumentado da petrobras no que diz respeito ao processo de escolha das empresas parceiras prestadoras de serviços. Hoje, essas empresas precisam de melhor qualificação de sua mão-de-obra e de seus processos de gestão.


Quanto ao município de Campos, este ano superou sensivelmente Macaé na geração de emprego. Em função de uma melhor safra de cana-de-açucar, o setor implusionou o emprego no municipio. De janeiro a setembro foram gerados 3.132 empregos líquidos, contra 4 empregos líquidos de Macaé. A importancia do setor sucroalcooleiro nesse contexto é porque atua articulado em alguns elos da cadeia de produção. O setor em funcionamento gera externalidade positiva para outros setores espraiando emprego. O comércio tem se beneficiado, assim como, a indústria de transformação e os serviços.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Evolução do emprego em setembro nos municípios com mais 30 mil habitantes

O emprego em setembro, nos municípios da Região Norte Fluminense com mais de 30 mil habitantes, seguiu a trajetória do mês anterior. Campos dos Goytacazes apresentou um saldo positivo de 142 empregos criados no mês, tendo o comércio liderado com 128 empregos, seguido pela indústria de transformação com 49 empregos e o setor agropecuário com um saldo de 9 empregos. O saldo acumulado no ano atingiu 3.132 empregos líquidos. O município de Macaé apresentou no mês o maior saldo negativo, foram destruidas 321 vagas de trabalho, cujo setor que mais contribuiu para a retração foi a construção civíl com um saldo negativo de 685 , seguido da indústria de transformação que destruiu 137 empregos. O município apresentou um saldo até setembro de 4 empregos líquidos criados. São Fidélis manteve a trajetória de saldos negativos de trabalho, sendo 100 empregos destruidos em setembro e um saldo acumulado no ano de 747 empregos destruidos. O município de São Francisco de Itabapoana, ao contrário, vem apresentando uma trajetória positiva. Foram criados 19 empregos líquidos no mês e 143 no ano.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A discussão no contexto do Nobel em Economia

Os trabalhos dos economistas norte americanos Elinor Ostrom e Oliver Williamson, que lhes possibilitaram o Prêmio Nobel de Economia em 2009, representam um grande aprendizado para regiões com dificuldade de desenvolvimento como a Região Norte Fluminense. Os pesquisadores partiram da critica ao mercado e ao Estado como elementos de coordenação do sistema econômico.

Ostrom, estudou o mecanismo da ação coletiva como elemento de coordenação na atividade econômica de exploração de um bem comum, com característica de recursos naturais. Já Williamson estudou a estrutura de capital social e a governança como condicionantes da ação coletiva no desenvolvimento econômico.

A divulgação desses temas envolvidos na premiação do Nobel em Economia fortalece a idéia de que, apesar da importância do mercado e do Estado como mecanismo de coordenação, países e regiões com dificuldades de desenvolvimento com baixa capacidade inovativa, dificuldade de crédito e baixo nível de conhecimento, dependem da presença de ação coletiva como um terceiro elemento capaz de potencializar o processo de desenvolvimento econômico. Entretanto, a ação coletiva depende de um ambiente sóciocultural propício a cooperação e a reciprocidade, o que não é muito comum no contexto desses ambientes. Desta forma, fortalecer o tecido social nessas regiões é essencial a ação coletiva, que depende de um certo grau de confiança entre os atores envolvidos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Trajetória da exportação de minério do Brasil

O comércio externo com minério de ferro tem apresentado, segundo a tabela ao lado, uma certa recuperação do volume exportado. Em setembro o volume embarcado superou em 5,6% o volume antes da crise internacional. Entretanto, o valor da receita de exportação não tem apresentado a mesma dinâmica, já que os preços contratuais seguem uma tendência de declínio. Setembro contabilizou o menor preço desde de outubro de 2008. Percentualmente, a queda representa 38,1% em setembro, comparativamente, ao mês de outubro.

O gráfico a seguir, apresenta a trajetória declinante dos preços da commodity, praticados no periodo analisado. Essa trajetória ficou acentuada a partir de janeiro deste ano. Depois da crise financeira internacional instalada, os preços de exportação do produto seguiu declinando até setembro. Com isso a manutenção da receita em dolar depende de um maior esforço de venda em volume.
Acompanhar a evolução desse comércio externo é importante, já que o complexo portuário do Açu instalado em São João da Barra, tem por finalidade, dentre outras atividades, viabilizar a exportação de minério de ferro vindo de Minas Gerais.


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Execução Orçamentária em Macaé e Quissamã

Continuando o processo de avaliação sobre a execução orçamentária nos municípios da Região Norte Fluminense, passamos a analisar os dados do município de Macaé. Observa-se, segundo a tabela acima, que a participação percentual da receita tributária na receita corrente se apresenta mais representativa, comparativamente, a São João da Barra e Quissamã, em função da forte base empresarial ligada a atividade petrolífera. Os outros seis municípios da região não disponibilizaram os demonstrativos contábeis na base da Secretaria do Tesouro Nacional, dai a não participação nesse processo de investigação.

No primeiro semestre deste ano, o município arrecadou R$ 155,6 milhões de receita tributária, cujo valor está concentrado basicamente no Imposto sobre Serviços. Esse valor representou 30,2% da receita corrente realizada no mesmo período. Quanto ao nível de investimento, o município também apresenta uma situação melhor, já que na média investiu 11,8% da despesa corrente no semestre. Apesar de apresentar melhores indicadores do que os outros municípios avaliados, o nível de investimento ainda é pequeno em função da pressão dos gastos de custeio, por ocasião da super estrutura instalada nos municípios.












A tabela acima apresenta os dados correspondentes a execução orçamentária do município de Quissamã. O terceiro bimestre não está disponibilizado e a análise corresponde aos dois bimestres iniciais do ano. Nestes, os indicadores são bastante pobres. A receita tributária, representando receitas próprias, inexiste. Do total da receita corrente, a tributária representou somente 3,2% de participação média, percentual bem inferior ao de São João da Barra. Esse indicador mostra a fragilidade da base empresarial no município e a forte dependência das transferências constitucionais. O nível de investimento também se apresenta muito aquém. Nesse mesmo período, do total da despesa corrente, somente 4,1% foram para investimento o que é preocupante, já que o município como produtor de petróleo precisa se estruturar para melhorar o seu padrão de receita própria no futuro.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Execução orçamentária no primeiro semestre em São João da Barra

O quadro ao lado apresenta os dados referentes a execução orçamentária do município de São João da Barra no primeiro semestre de 2009. Observa-se uma queda da receita tributária em 56,50% no segundo bimestre em relação ao primeiro bimestre. O terceiro bimestre apresenta um crescimento de 42,97% em relação ao segundo bimestre, porém o valor absoluto da receita tributária ficou muito abaixo do valor do primeiro bimestre. A participação percentual da receita tributária no conjunto das receitas correntes apresenta uma trajetória decrescente no mesmo período. No primeiro bimestre a participação foi de 7,47%, caindo para 6,74% no segundo bimestre e 4,74% no terceiro bimestre. Essa trajetória declinante não é compatível com a movimentação de empresas operando nas obras do complexo portuário do Açu. A participação percentual média de 6,24% da receita tributária nas receitas correntes, no primeiro semestre do ano, é inexpressiva comparativamente ao empreendimento em operação. Um outro dado importante é o gasto com investimento, oriundo das despesas correntes. Da totalidade dessa rubrica, parte vai para investimento, parte vai para custeio. Apesar da verificação do crescimento do percentual de participação do investimento nas despesas correntes: 3,8% no primeiro bimestre, 6,47% no segundo bimestre e 8,06% no terceiro bimestre, o percentual médio de 6,32% no semestre é muito baixo, já que 91,94% das despesas correntes são dirigidos para custeio, ou seja, manutenção da máquina pública. Um nível de investimento público baixo tende a inibir investimentos privados, atrapalha a geração de emprego e interrompe o processo de formação de infraestrutura necessária ao bem estar da população.
Nesse aspecto, o município precisa melhorar o seu processo de gestão pública.

sábado, 3 de outubro de 2009

Investimento Público e Bem Estar Social

O Programa Habitacional Morar Feliz, anunciado em Campos dos Goytacazes, cujo objetivo é construir 5,1 mil casas populares (primeira fase), com um investimento de R$ 357,9 milhões, fortalece a tese Keynesiana da importancia do papel do governo para uma maior dinâmica econômica, considerando a condição de diferença entre as diversas sociedades. Em algumas regiões talvez os mecanismos de mercado possam, por si só, estabelecer um certo equilíbrio entre produção e consumo, mantendo um nível aceitável de emprego e renda. Porém, em regiões onde claramente existe forte descompasso, o investimento do governo dirigido para potencializar emprego e renda é essencial para anular os desequilíbrios existentes e melhorar o nível de vida do seus habitantes. A motivação do projeto está centrada na necessidade de geração de emprego, cujo reflexo é o aumento da demanda efetiva e alimentação dos elos que poderão garantir novos investimentos privados e novos empregos. Entretanto, é importante integrar outras ações ao projeto inicial. Em algumas cidades pode-se observar que a baixa escolaridade dos trabalhadores e, consequentemente, a baixa qualificação, tem exigido das empresas empreendedoras a importação de mão-de-obra de outras regiões, caracterizando a situação de que , em alguns casos, o investimento público pode não refletir na melhoria do nível de vida de sua população, mesmo que no curto prazo aumente o emprego e a renda. Situações similares tem refletido na favelização de trabalhadores locais, já que o crescimento econômico vem com aumento do custo de vida. Uma outra questão importante é integração dos elos da cadeia produtiva. Neste caso específico, as industrias locais relacionadas a construção civil precisam se integrar, de forma que os recursos não fujam alimentado pela tese centro periferia (riqueza gerada na periferia e transferida para o centro, em função de sua maior competitividade). Essas preocupações são importantes, pois o que se espera é que o investimento público possa refletir no nível de emprego e renda no longo prazo. Em alguns casos, resultados de curto prazo não garantem uma condição de sustentabilidade em termos de crescimento econômico com maior distribuição da riqueza.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

IBGE mostra o novo retrato do Brasil rural


O retrato agropecuário do Brasil divulgado pelo IBGE, em função da conclusão dos resultados do censo de 2006, apresenta um quadro com certas dificuldades. A baixa escolaridade continua sendo um grande problema. Mais de 80% do produtores rurais são analfabetos ou não concluiram o ensino fundamental. Uma outra questão importante é a restrita orientação técnica, de origem governamental, que atinge somente 43% dos estabelecimentos, cuja área média dos assistidos é de 64 hectares.
Um outro aspecto observado, de natureza antropológica, é a dificuldade de adaptação dos jovens criados na área rural, nos centros urbanos. Muitos acabam desistindo de universidades ou trabalho em grandes empresas e retornam a sua origem para ajudar nos negócios de família. A nova geração rural tem contribuido para melhoria técnica nos processos de produção agropecuária.
Esse diagóstico pode melhorar o entendimento das questões relacionadas ao novo ciclo de mudaças que ocorre em São João da Barra por conta do complexo portuário. As decisões sobre capacitação profissional ou mesmo a desapropriação de terras no Açu devem ser avaliadas com base elementos dessa natureza para que problemas futuros possam ser evitados.