A pobre visão competitiva do setor ceramico de Campos dos Goytacazes

O sindicato da industria cerâmica de Campos divulgou a decisão de praticar um preço único de R$ 160,00 na comercialização do milheiro de tijolo, fato que materializa o atraso do setor. O primeiro grande equívoco está na fundamentação da proposta, ou seja: teoria da seleção natural. Segundo o sindicato, a partir dessa estratégia, sobreviverão aqueles que se adaptarem as condições do ambiente.
Esta postura me parece bastante contraditória, já que tal fato não reflete concorrência e sim a quebra da mesma para formação de um Cartel. Conceitualmente, trata-se de um acordo explicito ou implícito entre concorrentes para fixação do preço do produto. Inclusive tal pratica costuma ocorrer em um mercado oligopolista, onde opera um numero pequeno de produtores.
O atraso se configura ainda na punição das cerâmicas associadas que não seguirem o que eles chamam de pactuação. Neste caso, as mesmas seriam desfiliadas da organização. Segundo os dirigentes do sindicato, os problemas que motivaram esta decisão foram o aumento de custo de transporte, em função dos novos pedágios (Campos x Rio) e a crise internacional. Os mesmos ainda justificam a decisão pela existência de um desequilíbrio de mercado entre a oferta e a procura. No momento, apesar da queda de produção em 20% em relação aos últimos anos, ainda perdura um excedente de oferta frente a demanda.
Na verdade estamos diante um problema muito comum que é o processo concorrencial, próprio de um mercado livre. Algumas empresas, num mesmo setor, podem ser mais competitivas e vender seus produtos mais baratos do que outras. No caso específico, o que pode elevar a competitividade setorial é a busca de outros mercados e a mudança na configuração organizativa da produção. É aconselhável a busca de estratégias no contexto coletivo, de modo a reduzir os custos de transação (transporte, consultoria e marketing). Esta visão, ao contrário do que pensam os dirigentes do setor, está baseada na configuração de organização produtiva marshalliana, assim definida em linhas gerais:
“O desenvolvimento de um organismo seja físico ou social, envolve uma crescente divisão de funções de suas diferentes partes, ao mesmo tempo em que aumenta a conexão íntima que existe entre elas. Cada uma das partes vê diminuir sua auto-suficiência, e seu bem estar passa a depender cada vez mais das outras partes, de modo que qualquer desordem em uma das partes de um organismo de desenvolvimento superior afetará também as demais partes”.
Quer dizer: quando as unidades, individualmente, sofrem de algum tipo de fragilidade, a solução da busca por mercados competitivos deve se apoiar na cooperação e na reciprocidade.

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