domingo, 31 de maio de 2009

Atividade Pecuária na Região Norte Fluminense

O rebanho bovino da região norte fluminense, na ultima verificação do IBGE em 2007, contabilizou um efetivo de 600.953 cabeças, 28,91% do efetivo rebanho do Estado do Rio de Janeiro. Podemos entender como uma participação pequena e com forte concentração no município de Campos dos Goytacazes, ou seja, 235.849 cabeças, o equivalente a 39,25% do total da região. Tal concentração se fundamenta em função da extensa área territorial do município de 4.032 km2, o que lhe permite uma ampla área de pastagem. O segundo rebanho pertence ao município de São Fidélis com 77.815 cabeças, 12,95% do total da região, seguido por São Francisco de Itabapoana com 77.315 cabeças. Uma análise da atividade segundo a relação rebanho / área de pastagem, permite encontrar um indicador de produtividade para cada município. O quadro a seguir demonstra esses indicadores:




Conforme podemos verificar, os melhores resultados na relação proposta são de Carapebus e Conceição de Macabu com 4,04 e 3,10 cabeças por hectare, sucessivamente. Os ouros municípios aparecem bem abaixo, com Quissamã apresentando o pior desempenho nesse quesito.
A seguir, a apresentação gráfica do rebanho bovino na região em 2007.
Fonte: IBGE

sábado, 30 de maio de 2009

Curso de capacitação movimenta comerciantes em São João da Barra
























Comerciantes de São João da Barra tem a oportunidade de participar de curso de capacitação oferecido do Instituto Multidisciplinar de Qualificação Profissional e Empresarial. O curso tem duração de quatro semanas, está sendo ministrado nas instalações do Instituto e apresenta conceitos e técnicas de gerenciamento de empresas. O conteúdo proposto discute temas importantes como: o conceito de empresa; o papel da pessoa física e da pessoa jurídica; a contabilidade como sistema de informação gerencial; a estrutural patrimonial da empresa; a demonstração de resultados das operações; técnicas para apuração de estoques e custo; planejamento operacional e financeiro; técnicas de orçamento de caixa e plano de negócios. O curso teve inicio em 19 de maio e está previsto o encerramento para 16 de junho. Os resultados parciais têm sido bastante positivos em função do aprendizado em bom termo e da dinâmica de participação dos envolvidos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Verificação do Postulado Pós-keynesiano de preferência pela liquidez na economia norte fluminense

Pesquisa do professor Alcimar Chagas sobre a movimentação financeira nos municípios da Região Norte Fluminense considerou o comportamento dos depósitos e créditos para medir o grau de preferência pela liquidez do público (PLP) e dos bancos (PLB). A análise se baseou no preceito teóricos pós-keynesiano, o qual considera que padrões indicativos de alta preferência pela liquidez são definidores de dificuldades do sistema econômico local, já que o nível de investimento na atividade real se deprime pela insuficiência de crédito.
Alguns trabalhos publicados têm validado o postulado em análise, especialmente em suas aplicações nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Grandes Regiões do Brasil. No caso específico da Região Norte Fluminense, considerando a natureza especial do município como Macaé, que opera um sistema econômico diferente dos outros municípios, pois existe no local a atividade petrolífera que produz 85% do petróleo do país, os resultados não validaram por completo a teoria.
A pesquisa concluiu que em 2006 o município de Macaé concentrou 47% da riqueza gerada na região e se caracterizou como o município mais importante economicamente, segundo o critério “Valor Adicionado Fiscal”. Inversamente a resposta da teoria, o município apresentou o segundo maior valor de preferência pela liquidez de bancos (0,84) e o segundo maior valor de preferência pela liquidez de público (0,39). Na verdade esta peculiaridade diz respeito a forte movimentação proveniente de atores de fora que preferem investir os seus recursos em outros centros, por não ter confiança suficiente no ambiente econômico local. Apesar da riqueza gerada nestes espaços o acesso ao crédito fica prejudicado, interferindo no dinamismo da economia interna. Observou-se incompatibilidade entre a dinâmica do sistema bancário com o declínio da economia real.
O município de Campos dos Goytacazes, segundo em termos e representatividade econômica, apresentou um quadro diferente. O conceito de confiança está mais visível nos valores de PLP (0,18) e PLB (0,40). Os atores locais parecem ter mais confiança na sua estrutura econômica do que os atores de Macaé.
Neste caso, os indicadores de Campos dos Goytacazes parece compatibilizar com a hipótese conceitual. Uma outra situação que parece não se compatibilizar com a hipótese conceitual diz respeito aos valores apresentados por São Fidélis. O município é um dos mais frágeis, economicamente, na região, mais, contrariamente, apresentou valores baixos de preferência pela liquidez. No caso, PLP (0,22) e PLB (0,25), indicando que o público e os bancos tem confiança no sistema econômico local, o que pode gerar uma melhor condição financeira que é importante para a evolução da atividade real.
Quanto à existência de correlação entre crédito e valor adicionado fiscal, observou-se que quando os municípios de Macaé e Quissamã estão inseridos, a resposta atinge somente 0,7239 na escala de 0 a 1. Quando Macaé e Quissamã são excluídos da análise a resposta de correlação atinge 0,9928. Na avaliação da correlação crédito depósito total, o indicador apresenta perfeita sintonia, alcançando 0,9989. Conclui-se, portanto, que parte da riqueza gerada por Macaé e Quissamã foge, gerando crédito em espaços mais sofisticados e com mais alternativas de lucratividade. Desta forma, parcialmente, se mantém a tese de concentração da riqueza nos espaços centrais e o aprofundamento da desigualdade, reforçado pelo ciclo vicioso que alimenta o empobrecimento dos espaços periféricos.

A seguir são apresentados as equações utilizadas e os quadros indicativos de 1999 e 2006, apurados para a análise. Os dados são do Centro de Informações e dados - CIDE, 2007.

Quanto maior o valor deste índice, maior será a preferência pela liquidez do público, indicando, dentre as opções ofertadas, aquela com maior liquidez.







Quanto maior este índice, menor será o grau de liquidez do passivo bancário, indicando uma maior facilidade para os bancos alocarem seus recursos em ativos de maior prazo de maturidade como operações de crédito.
































segunda-feira, 25 de maio de 2009

Compensação financeira de royalties em maio na Região Norte Fluminense

Os municipios da Região Norte Fluminense receberam no último dia 20 os valores relativos a compensação financeira de royalties de competência de março deste ano. Dentre os municipios produtores, Campos dos Goytacazes ficou a maior parcela, valor equivalente a R$31.652 milhões, Macaé recebeu R$22.459 milhões, São João da Barra recebeu R$5.283 milhões, Quissamã R$4.973 milhões e Carapebus recebeu R$1.796 milhão. As remunerações de maio, nesses muncipios, superaram a média mensal do ano, acompanhando o crescimentodo do preço do petróleo bruto.
O quadro abaixo apresenta os valores por município da Região.

















Fonte: ANP

A trajetória de evolução do preço do petróleo mostra o início de recuperação em março, e a considerar a conjuntura atual, existem claras indicações de boa espectativa para o resto do ano. Essse quadro favorável garante a esses municipios substanciais receitas de transferência dessa compensação.
Veja a seguir, o gráfico de evolução do preço do petróleo bruto.















Fonte: FMI

O quadro a seguir apresenta os valores de compensação de royalties no mês de maio por município da região, os valores acumulados no ano e a média anual de cada municipio.











Fonte: ANP

sábado, 23 de maio de 2009

Movimentação do trabalho na Região Norte Fluminense

Os indicadores de trabalho admissão, rescisão e saldo nos municípios da região norte fluminense, no mês de em abril, mostram a importância das atividades econômicas que puxam o emprego formal e geram externalidades substantivas. Na análise em termos de saldo de trabalho, o município de Campos os Goytacazes apresenta o melhor resultado, em função da atividade canavieira que possibilitou a formação de 1.008 postos de trabalho liquido neste mês, ou seja, 2.620 admissões contra 1.612 desligamentos. O município de Macaé aparece em segundo lugar contabilizando 3.477 admissões contra 3.304 desligamentos, gerando um saldo de 173 vagas, cujo reflexo está na atividade petrolífera. Em terceiro lugar aparece o município de São João da Barra com um saldo de trabalho de 102 vagas, apuradas em função de 226 admissões contra 124 desligamentos no mês, cuja base econômica são os investimento no porto do Açu.
É importante observar que das três atividades em discussão, somente a atividade canavieira representa uma atividade econômica de base, já que sua origem é endógena, enquanto as outras duas atividades têm origem exógena. Isso quer dizer que, independente de vultosos investimentos externos em atividades de exploração de recursos naturais, as atividades de base são fundamentais e podem disseminar conhecimentos suficientes para a sua sustentabilidade e contribuição para o desenvolvimento regional.
Outro aspecto importante é que investimento de natureza exógena gera emprego e concorrência pelos postos de trabalho, já que os investimentos atraem um grande contingente de trabalhadores de fora. Em conseqüência os municípios precisam gastam mais para atender novas demandas e se beneficiam com o aumento do orçamento, em função do crescimento dos impostos e compensações. Esta equação nem sempre possibilita desenvolvimento econômico regional/local, basta verificar o fluxo de recursos financeiros da atividade petrolífera em direção aos municípios da região.

Veja distribuição dos indicadores por município da região.



Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Porto do Açu em São João da Barra


Os investimentos na construção do porto do Açu, no município de São João da Barra, tem fomentado diversos interesses de negócios mundo a fora. Os mais recentes estão indicados no memorando de intenções assinado, nesta terça feira, entre a LLX e a MMX com a empresa chinesa Wuhan Iron and Steel (wisco). Esta aproximação representa uma potencial parceria comercial e estratégica que pode incluir a construção de uma usina sideúrgica integrada de 5 milhões de toneladas na área do porto, além de outros negócios, como a aquisição de participação acionaria na MMX pelos chineses, fornecimento de minério pela MMX e serviços portários.
Conforme pode-se verificar, este município com, aproximadamente, vinte e oito mil habitantes passa por um momento de transição importante e precisa se profissionalizar para inserir a sua população nesse processo. Entretanto, algumas deficiências de infraestrutura são claramente observadas, o que alimenta as preucupações presentes, notadamente, na segurança pública, emprego, educação, saúde pública e saneamento básico.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

um novo olhar sobre o setor sucroalcooleiro

Nos últimos dias o setor sucroalcooleiro voltou a ficar em evidencia na mídia regional. Motivo: a antiga preocupação sobre a trajetória de decadência setorial e a insistente reivindicação de ajuda governamental como panacéia para todos os problemas. Uma pergunta seria: é justo usar recursos públicos em uma atividade comprometida por todo tipo vícios, fruto da proteção histórica e do individualismo predatório, enquanto parcela da sociedade desprotegida está excluída do contexto de bem estar? Avaliando o percurso histórico a resposta é não, já que este setor se acomodou a praticas protecionistas e não deu a sua contrapartida. Informações atuais indicam que as unidades produtivas quebram todo tipo de contrato, geram desconfiança e contribui para o aprofundamento da pobreza. Os quatro mil processos trabalhistas em tramitação e a negação de outros direitos dos trabalhadores talvez ajudem a entender a questão.
Quanto a importância do setor, poderíamos dizer que qualquer investimento capitalista é importante para toda a sociedade, pois gera trabalho e salários para os trabalhadores e rendas diversas, como o próprio lucro do empresário. Enfim, todos os atores tem um papel que possibilita benefícios e também doação. Neste caso, será que não é o momento de trocar a reivindicação de apoio governamental por pactuação de interesses? Quero dizer que os interessados devem sentar a mesa com o espírito de se sacrificar pela recuperação do setor. Um novo diagnóstico deve ser buscado, onde os problemas no contexto da produção e da gestão possam se associar ao grave problema relacional que aprofundou em decorrência da exacerbada prática da “Lei do Gerson”. Neste caso, o poder público se constitui num parceiro e não no salvador da pátria, as empresas precisam garantir eficiência e respeito às regras estabelecidas, os sindicatos deve exercer o seu papel real e esquecer o corporativismo improdutivo, a universidade e os centros de pesquisa precisam ser mais pragmáticos e contribuir no processo de inovação do setor e, assim como os outros atores, devem se integrar a um desenho de rede com objetivos claros de natureza coletiva, já que individualmente afloram fragilidades que inviabilizam suas operações. A COAGRO, ainda em processo de construção, pode servir de exemplo para o inicio do entendimento de um novo modo de operação viável para este setor de atividades.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Participação municipal no ICMS

As oscilações verificadas na receita de royalties dos municípios produtores de petróleo têm chamado a atenção para a necessidade de uma melhor gestão financeira, especialmente no que diz respeito ao item receitas próprias. A fragilidade desse item em todos os municípios da região norte fluminense é evidente e contrasta com uma superestrutura administrativa que consome recursos permanentes e provisórios. Esta situação delicada deixa esses municípios sempre em estado de alerta, em função das mudanças econômicas conjunturais como: variação do preço do petróleo, tendência de mudança na matriz energética, pressão por redistribuição da compensação, etc.

Em nossa matéria anterior falamos sobre alternativas de arrecadação e sustentabilidade financeira e nos referimos aos benefícios do ICMS verde. Complementarmente, vamos abordar o tema transferência de ICMS. As receitas correntes municipais são constituídas pelos impostos e taxas recolhidos internamente e pelas transferências institucionais vindas da União e do Estado. Uma parcela muito importante é a transferência do imposto sobre circulação de mercadorias (ICMS). O Estado arrecada esse imposto e transfere 25% para os municípios, segundo os critérios de valor adicionado e população. O critério valor adicionado é o mais importante, pois representa 75% do valor transferido e a sua evolução depende do esforço do próprio município. Essa arrecadação pode aumentar a partir de um melhor planejamento dos municípios, os quais devem mapear as atividades econômicas e incentivar as empresas a informar o valor destas ao Estado. Na ausência desse esforço, se instala a informalidade no interior dos sistemas econômicos. As atividades agrícola, pecuária e pesca, normalmente, geram uma forte evasão de divisas sem que os gestores públicos tomem as devidas providencias. Importante é que esse processo pode ser viabilizado sem prejuízo para as unidades produtivas.

O gráfico a seguir apresenta o índice de participação de cada município para 2009.


Fonte: Secretaria Estadula de fazenda

Verificando os índices de participação no ICMS, pode-se verificar a importância de Macaé com a maior participação na Região. O município apresenta uma boa trajetória na dinâmica de sua economia, já que em 2000 contava com um índice de 1,614. O município de Campos dos goytacazes apresenta o segundo melhor índice, entretanto a sua dinâmica de crescimento ficou aquém de Macaé. Em 2000 o índice era 2,994. Quissamã, pelo tamanho de sua economia, apresenta um bom resultado, ficando em terceiro lugar. Em 2000 esse índice era 0,763. Os outros municípios demonstraram pouca evolução e mantiveram basicamente os mesmos índices de 2000. São João da Barra 0,385; São Francisco 0,467; São Fidélis 0,345; Conceição 0,238 e Cardoso 0,250. Conforme pode-se observar, esses municípios não se esforçaram para melhorar a sua participação no ICMS nos últimos anos.

terça-feira, 12 de maio de 2009

ICMS verde como alternativa de captação de recursos nos municípios

A dificuldade no manejo da informação tem representado um limitador para o desenvolvimento dos municípios da região norte fluminense. Esses municípios não têm observado as oportunidades potenciais do esforço de descentralização dos governos Federal e Estadual. Inversamente ao que muitos governantes pensam, as oportunidades são cada vez maiores para o desenvolvimento de políticas endógenas de desenvolvimento local. Neste artigo vamos discutir especificamente a oportunidade do município implementar uma política de gestão sustentável a partir dos recursos do ICMS verde.

Conceitualmente, trata-se de uma ferramenta econômica inovadora, criada com o objetivo de incentivar a proteção ao ambiente, a partir do estabelecimento de critérios de conservação ambiental. A fonte de recursos é Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cuja base de distribuição aos municípios se da segundo a Constituição Federal, respeitando a seguinte divisão: 25% da arrecadação são repassados aos municípios, sendo que 75% do mesmo provem do valor adicionado de cada município e 25% respeita o critério populacional.

A lei do ICMS Verde foi criada em 2007 e entrou em vigor em 2009 para incentivar os municípios a proteger o ambiente, garantindo benefícios financeiros. O repasse para 2009 equivale a R$ 150 milhões, podendo chegar a R$ 300 milhões em 2011. Desses recursos, 45% são destinados para unidade de conservação, reservas particulares e áreas de proteção permanentes; 30% são destinados para a qualidade da água eJustificar 25% são destinados para a administração de resíduos sólidos.

Os critérios definitivos foram elaborados pelo CIDE e, segundo os mesmos, quatorze cidades foram excluídas desse benefício em função da baixa pontuação. O município de São João da Barra conseguiu a pior classificação no Estado, enquanto Cachoeira de Macacú obteve o primeiro lugar no ranking do Estado, com o índice: 5,171188. Veja a posição dos municípios da Região Norte Fluminense:










Fonte: Centro de Informações e Dados – CIDE

Como vimos, os municípios precisam profissionalizar suas ações de forma a buscar a sua própria sustentabilidade financeira, já que a dependência de transferências institucionais implica em insegurança e, muitas vezes, descontinuidade de projetos importantes.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Fortalecimento do Setor Canavieiro no Norte Fluminense

Os municípios de Campos, Quissamã e São João da Barra estão se mobilizando para fortalecer o setor canavieiro na região. As ações divulgadas nos jornais repetem o velho receituário: vamos ofertar mudas de qualidade aos produtores e cursos de capacitação. Insistimos que ações isoladas como essas, não costumam apresentar resultados efetivos para a necessária transformação setorial. É importante construir um entendimento mais ampliado sobre o setor, de forma que as estratégias possam contemplar problemas de natureza diferente dos que são tratados correntemente. Já nos referimos aos problemas oriundos das dificuldades no contexto relacional. Temos visto que a integração de aspectos sociológicos, antropológicos e sociólogos a teoria econômica pura, tem possibilitado a evolução de modelos diferenciados do modelo único de acumulação de capital com coordenação de mercado.
Entretanto, ignorando tal avaliação, o município de São João da Barra apresenta, como alternativa de fortalecimento do setor, a cessão de mudas de qualidade para fomentar a renovação dos canaviais. Tal decisão ocorre no momento exato em que informações da CONAB (2009), indicam que a crise internacional afetou o fluxo das empresas que operam no setor, e que as mesmas tem optado por medidas de não renovar canaviais envelhecidos e reduzir tratos culturais, de maneira a alcançar um certo equilíbrio financeiro. Assim, queremos insistir que ações devem estar devidamente ajustadas a um planejamento que procure responder as seguintes indagações: Os produtores estão motivados para cultivar novas mudas de qualidade e desenvolver tratos culturais compatíveis? Considerando que 65% das propriedades no município tem menos de 10 hectares, esse projeto se viabiliza economicamente? Supondo que o produtor consiga cultivar novas plantas e aumente a sua produtividade, ele terá escala competitiva? Se não, qual seria o modelo de produção mais adequado para a região? E finalmente, como sensibilizar esse produtor a se integrar em uma outra estratégia de organização produtiva? O esforço para responder essas respostas deve substituir a prepotência de imposição de projetos de cima para baixo, cujo resultado tem sido o desperdício de recursos públicos e o aprofundamento da desconfiança entre os atores produtivos.

domingo, 10 de maio de 2009

Desperdício dos Royalties na Região Norte Fluminense

Na discussão anterior vimos a participação relativa da despesa de investimento dos municípios da região na receita orçamentária. Entretanto, outra análise importante é verificar a participação da mesma despesa de investimento na receita de compensação de royalties. A compensação sobre exploração de petróleo (royalties), recebida pelos municípios, pelo fato de ser temporária deveria ser gasta em investimento de infra-estrutura básica, de forma a fomentar novos investimentos privados, além de criar as condições necessárias para a população obter uma melhor qualidade de vida. Assim, podemos entender que usar esses recursos no custeio é optar por um processo de gestão pública ineficiente. O quadro a seguir, apresenta a medida de ineficiência no trato da questão.

Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional

Esses indicadores refrentes a 2007, permitem uma leitura sobre a parcela dos recursos de royalties que é consumido no custeio, mostrando assim, o grau de ineficiência da gestão pública. Tal fato ocorre em função do mau dimensionamento da estrutura pública em cada município.
Por exemplo, o município Conceição de Macabú apresenta o melhor resultado já que consegue utilizar 86,1% desses recursos em investimento, destinando 13,9% para custeio. Entretanto, Carapebús apresenta o pior resultado já que investe somente 11,5% desses recursos em investimento, destinando 88,5% para a conta de dispêndio.
É importante observar que os recursos para custeio, que é permanente, devem vir de fundos de natureza própria (receitas tributárias e transferências garantidas). A receita de Royalties é provisório, o que justifica o seu uso em investimento.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O baixo padrão de investimento na Região Norte Fluminense
Investimento em economia é o esforço de aquisições de bens de capital pelas empresas (planta industrial e equipamentos, construção residencial, etc.), os quais irão incrementar a produção futura. Neste caso o setor privado é motivado por indicações do poder público que é responsável pela implementação de políticas governamentais. Assim, é coerente imaginar que paises ou municípios que gerenciam melhor os seus recursos orçamentários consigam estruturar um ambiente mais saudável para o investimento privado. Um alto nível de investimento, por sua vez, garante mais emprego, mais renda e mais crescimento econômico.
Investigando o padrão da despesa de investimento dos municípios da região norte fluminense em 2007, observa-se que esses municípios não parecem muito preocupados com o futuro, já que consomem quase todo a receita orçamentária com o custeio imediato, ou seja, com as despesas rotineiras de manutenção da máquina pública. Isso é um problema grave que afetará as próximas gerações.
Dentre os nove municípios da região, pode-se avaliar a performance de sete já que dois (Campos dos Goytacazes e Conceição de Macabú), não disponibilizaram os dados para a base da Secretaria do Tesoura Nacional.


Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional

Conforme podemos verificar os municípios destinam muito pouco para investimento, em função da super estrutura normalmente implantada. Desta maneira a parcela destinada para o dispêndio é alta. Especialmente, pode se observar que a péssima colocação do município de São Francisco do Itabapoana no índice de desenvolvimento humano pode ter como uma das causas o baixo índice de investimento, conforme mostrado no quadro. Em termos relativos, o município investe próximo da metade do que investe o município de Quissamã que no contexto do Estado vem ganhando status de contar com bons processos de gestão. Os municípios de Cardoso e Carapebus também apresentaram índices muito fracos e Macaé, pela sua condição de forte arrecadador de royalties está devendo a sua sociedade uma condição mais de digna de bens estar social.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A pobre visão competitiva do setor ceramico de Campos dos Goytacazes

O sindicato da industria cerâmica de Campos divulgou a decisão de praticar um preço único de R$ 160,00 na comercialização do milheiro de tijolo, fato que materializa o atraso do setor. O primeiro grande equívoco está na fundamentação da proposta, ou seja: teoria da seleção natural. Segundo o sindicato, a partir dessa estratégia, sobreviverão aqueles que se adaptarem as condições do ambiente.
Esta postura me parece bastante contraditória, já que tal fato não reflete concorrência e sim a quebra da mesma para formação de um Cartel. Conceitualmente, trata-se de um acordo explicito ou implícito entre concorrentes para fixação do preço do produto. Inclusive tal pratica costuma ocorrer em um mercado oligopolista, onde opera um numero pequeno de produtores.
O atraso se configura ainda na punição das cerâmicas associadas que não seguirem o que eles chamam de pactuação. Neste caso, as mesmas seriam desfiliadas da organização. Segundo os dirigentes do sindicato, os problemas que motivaram esta decisão foram o aumento de custo de transporte, em função dos novos pedágios (Campos x Rio) e a crise internacional. Os mesmos ainda justificam a decisão pela existência de um desequilíbrio de mercado entre a oferta e a procura. No momento, apesar da queda de produção em 20% em relação aos últimos anos, ainda perdura um excedente de oferta frente a demanda.
Na verdade estamos diante um problema muito comum que é o processo concorrencial, próprio de um mercado livre. Algumas empresas, num mesmo setor, podem ser mais competitivas e vender seus produtos mais baratos do que outras. No caso específico, o que pode elevar a competitividade setorial é a busca de outros mercados e a mudança na configuração organizativa da produção. É aconselhável a busca de estratégias no contexto coletivo, de modo a reduzir os custos de transação (transporte, consultoria e marketing). Esta visão, ao contrário do que pensam os dirigentes do setor, está baseada na configuração de organização produtiva marshalliana, assim definida em linhas gerais:
“O desenvolvimento de um organismo seja físico ou social, envolve uma crescente divisão de funções de suas diferentes partes, ao mesmo tempo em que aumenta a conexão íntima que existe entre elas. Cada uma das partes vê diminuir sua auto-suficiência, e seu bem estar passa a depender cada vez mais das outras partes, de modo que qualquer desordem em uma das partes de um organismo de desenvolvimento superior afetará também as demais partes”.
Quer dizer: quando as unidades, individualmente, sofrem de algum tipo de fragilidade, a solução da busca por mercados competitivos deve se apoiar na cooperação e na reciprocidade.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Turismo ecológico

A estratégia em usar recursos naturais locais para potencializar desenvolvimento econômico faz parte do moderno receituário utilizado em todo mundo. O município de São João da Barra, neste aspecto, é privilegiado em função da beleza do seu delta, dentre outros recursos naturais, que devem possibilitar o fomento de atividades para a geração de riqueza.
Atualmente a atividade econômica desenvolvida no rio Paraíba é a pesca artesanal que se encontra em franca decadência, em função do processo de sobrepesca e da alta poluição do seu leito. A escassez do produto pesqueiro tem contribuído para o aprofundamento da pobreza, já que o pescador apresenta uma certa dificuldade em mudar de atividade.
Assim, o exercício de pensar estrategicamente atividades no contexto do turismo ambiental pode contribuir para reverter o atual quadro de paralisia da economia local.
As imagens abaixo confirmam a beleza natural do delta da bacia do Rio Paraíba do Sul no município de São João da Barra.


Fotos: Carlos A. A. de Sá
A INFLUÊNCIA DO CAPITAL RELACIONAL NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

* Alcimar Chagas Ribeiro, economista, D Sc.

Pensar desenvolvimento econômico a partir de um modelo único é negar as diferenças entre países, regiões ou mesmo espaço territorial. A diversidade econômica observada em cada ambiente define as características de cada lugar e a sua capacidade de potencializar uma ou outra atividade econômica. Na verdade, o que se verifica, através das experiências empíricas, é um conjunto de formas de organização produtiva que, quando bem articuladas a um eficaz processo de gestão, possibilitam uma certa condição de bem estar local, identificada na aceleração do produto, do emprego e da renda. Como conseqüência, os padrões de negócios, tecnologia e gestão, seguem a natureza do ambiente econômico em questão, ratificando a visão de que o bem estar e a felicidade de um povo não se configuram somente através de um modelo padrão.
Esta é a premissa que define a importância da ampliação do escopo de entendimento sobre a decadência do setor sucroalcoleiro fluminense. Todo esforço explicativo para o problema tem caminhado sob a ótica da deficiência de elementos fundamentais no contexto da produção, tais como: tratos culturais, irrigação, inovação, capacitação, etc., seguido dos elementos que norteiam o modelo único de organização produtiva: estrutura verticalizada, divisão do trabalho e produção em escala.
A nossa hipótese é que a disponibilização desses elementos não garante o sucesso competitivo do setor, já que em diversos momentos essas limitações foram tratadas, através de projetos governamentais, sem os resultados esperados. Neste caso, entendemos que um conjunto argumentativo mais eficaz para tratar a decadência setorial deve levar em consideração o capital relacional, não considerado nas discussões correntes.
Assim, o setor deve ser entendido como um sistema dinâmico onde organizações se articulam na construção de um sistema produtivo local. Neste caso, a incorporação de elementos imateriais, tais como: confiança, cooperação, reciprocidade e ética, no contexto da análise, ampliam o grau de entendimento sobre os problemas econômicos e, conseqüentemente, permitem, a partir da flexibilização do modelo único de organização produtiva, a construção de estratégias mais adequadas para a evolução do setor.
Pesquisas realizadas pelo Laboratório de Engenharia de Produção da UENF vêm indicando esse caminho. Na verificação do grau de cooperação entre as diversas organizações de interesse no setor, os resultados indicaram uma baixa propensão a cooperar do sistema. O forte interesse individual parece sufocar as iniciativas de ordem coletiva.
Uma outra pesquisa verificou o nível de capital social do Sistema Coagro (conjunto de organizações integradas no negócio da Usina Coagro), confirmando a existência de uma cultura individualista que dificulta o fortalecimento do tecido social local. Entretanto, na análise especifica do Sistema Coagro, construído no contexto da autogestão sob a predominância da cooperação e a reciprocidade, a percepção dos atores muda indicando que esta organização produtiva tem provocado o resgate da confiança entre os interessados, motivando uma maior participação. Este fato é importante e indica que investir em práticas de cooperação é fundamental para o fortalecimento de ações de cooperação, reciprocidade e da ética nas questões econômicas. A nossa visão é que este caminho estratégico permite rediscutir o futuro deste setor de atividade tão importante para a região.

Setor sucroalcooleiro fluminese

O setor sucroalcooleiro fluminense, apesar da evidente decadência, continua muito importante para a região norte fluminense. Segundo dados da CONAB (2008), em Castro e Ribeiro (2009), na safra de 2008 foram moidas 3,6 milhões de toneladas de cana. Este valor ficou abaixo da média estadual que é de 4,8 milhões de toneladas e representa 0,9% de toda cana da região sudeste. O artigo de Castro e Ribeiro (2009), indica que na safra de 2008 esta parte da cadeia produtiva operaou com 10.000 fornecedores de cana, 10.000 trabalhadores, 6 usinas e uma distilaria, além de organizações de apoio como: universidades, sindicatos, associações e cooperativas.

sábado, 2 de maio de 2009

Caracterização da região norte fluminense

A região norte fluminense é constituida dos seguintes municípios: Campos dos Goytacazes, Carapebus, Cardoso Moreira, Macaé, Quissamã, São Fidélis, São João da Barra, São Francisco de Itabapoana e Conceição de Macabú. O Produto Interno Bruto contabilizado em 2005 somou R$9.234.002.000,00 (nove bilhões, duzentos e trinta e quatro milhões e dois mil reais) para um PIB per capita no mesmo ano de R$12.282,38 (doze mil duzentos e oitenta e dois reais e trinta e oito centavos). A população residente estimada para 2009 é de 796.772 habitantes (CIDE, 2007) .