segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Garantia de aquisição da produção agrícola em Campos. É possível?

http://www.folha1.com.br/_conteudo/2017/02/economia/1215293-programa-garante-aquisicao-de-pequenos-produtores.html

Reunião recente na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes discutiu a possibilidade de implementação do Plano de Aquisição de Alimentos do Governo Federal, como instrumento de fomento a produção agrícola municipal. Quero ratificar que esse esforço é de extrema importância, porém precisa ser pensado de forma diferente. 

Recentemente foi negociado com o estado do Espirito Santo, o fornecimento da merenda escolar para o município. A pergunta é: se hoje não conseguimos fomentar a produção para atender a merenda escolar no município, como vamos atender a demanda dos organismos federais? 

Insisto que é preciso planejar essa questão e forma sistêmica. É necessário pensar uma estrutura de governança institucional para conhecer a demanda, a oferta, o nível de organização, além de criar mecanismos de sensibilização e capacitação dos agentes envolvidos, para a ação coletiva. É preciso criar estratégias para eliminar gargalos relacionados a escala, tecnologia, organização, gestão, logísticas, etc. Trata-se de uma árdua tarefa que exige alto conhecimento. A política agindo, isoladamente, não mudará as condições já estabelecidas e que representam gargalos que são inibidores dos objetivos estabelecidos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A economia da região Norte Fluminense em debate

Cerimonia de instalação do Instituto Teotônio Vilela (ITV - PSDB) em Campos dos Goytacazes, com posse do Dr. Alexandre Buchaul como diretor, foi realizada nesta segunda feira 13 de fevereiro. 
A programação permitiu um amplo debate sobre a economia regional, especialmente, sobre as dificuldade dos municípios fixar a riqueza do petróleo e da infra estrutura portuária. O professor Alcimar Chagas apresentou indicadores que atestam que os municípios, ainda dependentes das rendas de petróleo, não conseguem resolver os problemas do subdesenvolvimento, enquanto as lideranças mantem as expectativas de solução regional via grandes investimentos.  
Como alternativa, o economista demonstrou o potencial do desenvolvimento endógeno, quando implementado a luz de um processo de governança capaz de desconstruir gargalos instalados, tais como: individualismo exacerbado, dificuldade de cooperar, problemas de confiança, etc. Nesse contexto, os recursos tangíveis e intangíveis de cada local exercem papel fundamental, completa o economista. 
O economista Ranulfo Vidigal, falou sobre as dificuldades orçamentárias vividas especialmente por Campos dos Goytacazes. Levantou as dificuldades do governo manter serviços fundamentais, no contexto da queda acentuada das receitas orçamentarias no exercício de 2017.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Participação especial do petróleo em queda na Bacia de Campos

As receitas relativas as participações especiais da produção de petróleo do 4º trimestre de 2016, transferidas para os municípios da região Norte Fluminense em fevereiro deste ano, cresceram 1,75% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Carapebus perdeu 48,2%, São João da Barra perdeu 15,67%, Quissamã perdeu 5,66% e Macaé perdeu 0,82%. Foi verificado um crescimento de 7,9% somente em Campos dos Goytacazes, no período analisado.
Importante observar que a participação relativa da região no total de receita distribuída para os municípios do país, caiu para 13,99% no ultimo trimestre de 2016, comparativamente, a participação de 24,13% o último trimestre do ano anterior. Este fato é devido a redução da produtividade na Bacia de Campos e a evolução da produção da Bacia de Santos. 

O crescimento do emprego da renda e do valor adicionado, impulsionado pelo porto do Açu, não reflete positivamente na dinâmica econômica local em São João da Barra

A movimentação para construção do porto do Açu iniciou na segunda metade de 2007 e o projeto de impacto ambiental, social e econômico, aprovado pelo INEA, definia, especialmente, na esfera econômica os seguintes impactos e, consequentes, medidas mitigadoras.

Na fase de construção, o impacto relacionado a geração de expectativa e incerteza na população, trazia a medida mitigadora de contratação local, objetivando a redução do desemprego na região.

Já na fase de construção, o impacto previsto de aumento de emprego e efeitos da desmobilização dos canteiros, trazia a medida mitigadora de capacitação de trabalhadores e prioridade na utilização de serviços, comércio e insumos locais, objetivando aumento da arrecadação de impostos e taxas. Um segundo impacto de aumento da demanda por bens e serviços, indicava a medida mitigadora de contratação de mão de obra local para evitar o afluxo de pessoas de outras regiões e, finalmente, o impacto de geração de conflitos com a população, trazia que como medida mitigada o apoio as atividades de agricultura e pesca artesanal.

Para verificar a ocorrência das medidas mitigadoras, recorremos ao instrumento estatístico análise de regressão linear, considerando emprego no comércio, como indicador de dinâmica econômica local e variável dependente, para verificar as respostas, em função das mudanças ocorridas nas variáveis independentes (PIB, PIB per capita, valor adicionado, emprego total, receitas correntes, operações de crédito, depósito à vista privado, receitas tributárias, rendimento do trabalho). Na prática, queríamos verificar até que ponto o crescimento dessas variáveis refletiam no crescimento no emprego no comércio localmente.

Os resultados foram pífios. O pior resultado entre outros municípios que receberam grandes investimentos baseados em recursos naturais, tais como: Campos, Macaé, no Rio de Janeiro; Altamira no Pará e Ipojuca em Pernambuco. O emprego no comércio em São João da Barra respondeu somente a movimentação dos depósitos a vista privado, mesmo assim inversamente. Ou seja, em termos de previsão com base no período analisado de 2004 a 2014, a movimentação de R$ 1,0 milhão de depósito à vista privado apresentou resposta na eliminação de quatro empregos no comércio.

Conforme podemos verificar, não existe correção entre as variáveis que apresentam evolução positiva com a movimentação do comércio, o que orienta a nossa confirmação de que as medidas mitigatórias não foram devidamente implementadas e o município amarga os resultados dos impactos negativos. A riqueza gerada por todo esse período no município seguiu um fluxo de saída, deixando a sociedade local literalmente a ver navios.



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017